Em setembro, a família do jovem Afonso Gonçalves, morto num atropelamento por um taxista em Lisboa, vai ao Parlamento entregar pessoalmente a petição em que pedem aumento das penas para este crime. A informação é de Carla Gonçalves, mãe do jovem que completaria 22 anos neste agosto. “Não é só sobre o Afonso, é por todos os Afonsos que não tiveram oportunidade de se defender”, diz ao DN.A petição pede que em caso de “a omissão de auxílio resultar em morte da vítima, o agente terá de ser punido com a pena aplicável ao crime respetivo agravado na metade do seu limite máximo, tanto de pena de prisão quanto na sua vertente de aplicação da pena de multa”. Atualmente, a legislação portuguesa prevê e pune o crime de omissão de auxílio com pena de prisão de até dois anos ou multa de até 240 dias. Além da alteração da moldura penal, a petição pede que sejam discutidas “medidas complementares para reforçar a fiscalização, a responsabilização e a punição daqueles que, ao fugirem do local de um atropelamento, naturalmente, agravam as consequências para as vítimas”.A família está com esperança que o assunto recolha interesse dos deputados e deputadas para que esta mudança na lei seja discutida e aprovada. Carla Gonçalves também lançou uma carta aberta em que chama a atenção para o caso. Ao DN, explica que, apesar de ter alcançado o número de assinaturas necessárias, o tema ainda não é amplamente discutido e que, apesar do apelo, poucas figuras públicas ajudaram na divulgação. “Enviei mensagens. Emails. Apelos. A vós - figuras públicas que tantas vezes se dizem defensoras de causas sociais. A vós - que têm voz, influência e palco. A vós - que tantas vezes se pronunciam sobre justiça, empatia, humanidade. Mas, com exceções raras e preciosas, fui ignorada”, lê-se num trecho do documento.Na visão da mãe do jovem, “esquecem-se que há muitas formas de violência. A omissão de auxílio é uma delas. É uma violência que silencia, que deixa morrer, que abandona. E é uma violência que deixa as famílias com o grito preso para sempre. O silêncio também é uma escolha. E às vezes, esse silêncio grita mais alto do que qualquer publicação.”Desde que perdeu o filho, o casal também está em contacto com outros pais e mães que passaram pela mesma situação. É o caso da família de João, um rapaz de 21 anos que morreu ao ser atropelado em Viseu, em outubro do ano passado..O jovem Afonso, que completaria 22 anos neste mês de agosto, continua a ser homenageado pelos amigos e colegas da universidade. No local onde foi atropelado e morto por um taxista, na avenida dos Estados Unidos, são colocadas flores e mensagens de solidariedade. O local é conhecido como “passadeira da morte” desde 1992, por já ter sido local de outros acidentes fatais.Em 2024, pelo menos uma pessoa por dia foi atropelada e não recebeu socorro de quem a atropelou, de acordo com dados provisórios da Polícia de Segurança Pública (PSP) fornecidos ao DN. No total, foram 373 registos, número que tem vindo a crescer todos os anos desde 2020. Era ano de pandemia com menos pessoas e carros nas ruas, e registaram-se 200 casos. E, após a reabertura, os atropelamentos com fuga continuam a aumentar: 244 em 2021, 337 em 2022 e 359 em 2023.amanda.lima@dn.pt.Morreu Pedro Sobral, presidente da APEL, atropelado quando seguia de bicicleta.Homem de 71 anos morre atropelado em Montemor-o-Novo. Condutor fugiu