No rigor do inverno, quando tudo parece definhar, há plantas que vencem o frio intenso e resistem com tenacidade, revelando uma vitalidade notável: o pinheiro, o bambu e a ameixeira.Embora apresentem formas distintas, as três partilham a qualidade de não temer a geada, nem a neve, razão pela qual são conhecidas como os Três Amigos do Inverno. Surgem com frequência na poesia, na literatura, na pintura e na caligrafia chinesas, servindo de metáfora e elogio àqueles que mantêm uma elevada integridade moral em tempos de adversidade.Ao mesmo tempo, são amplamente utilizadas como motivos auspiciosos consagrados em objetos artesanais chineses, como a porcelana e o mobiliário.PinheiroNo Natal, é habitual as famílias ocidentais colocarem em casa uma Árvore de Natal, tradicionalmente um abeto ou uma pícea - árvores de folha perene que, em chinês, são muitas vezes designadas genericamente como “pinheiros” ou “Pinheiros de Natal”. Decorada com luzes coloridas e presentes, a Árvore de Natal torna-se um símbolo de alegria e renascimento.Quanto à literatura e arte Ocidentais, o pinheiro aparece frequentemente em vastas florestas ou paisagens montanhosas, representando a força da natureza e o espírito de liberdade.Na China, a imagem cultural do pinheiro é algo diferente, simbolizando longevidade e perseverança. O pinheiro cresce lentamente, mas permanece ereto durante centenas ou mesmo milhares de anos, mantendo-se sempre verde ao longo das quatro estações. Pela sua imagem de força e fiabilidade, é frequentemente plantado em templos antigos, jardins imperiais e pátios, como um guarda fiel.. Na pintura chinesa, o pinheiro surge também com grande frequência - ora erguendo-se altivo no meio do vento e da neve, ora acompanhado de grous, veiculando uma mensagem de longevidade e prosperidade.Conforme disse o grande pensador chinês Confúcio (551-479 a.C.): “É no frio rigoroso que se vê que o pinheiro e o cipreste são os últimos a perder as folhas.” Esta frase alude precisamente à capacidade do pinheiro de não murchar no inverno severo para elogiar a virtude de quem, em situações adversas, permanece fiel aos seus princípios.BambuO bambu cresce de forma particularmente rápida: depois de uma chuva primaveril, pode crescer visivelmente em altura num curto espaço de tempo. Trata-se de um material prático que permeia a vida quotidiana dos chineses - desde as tiras de bambu usadas para a escrita na antiguidade, passando pelos utensílios domésticos, até ao mobiliário atual, que é simultaneamente ecológico e esteticamente agradável.Na cultura chinesa, o bambu encarna numerosas qualidades positivas: cresce direito e segmentado, simbolizando a retidão e a moderação; e o seu interior é oco, o que evoca humildade e tolerância. Assim, o bambu não é apenas uma planta, mas também um companheiro espiritual, que lembra às pessoas a importância do cultivo da virtude.. Su Shi (1037-1101), o literato da Dinastia Song, escreveu num poema: “Prefiro não comer carne a viver sem bambu.” Este verso exprime a postura de vida do poeta, que prefere a escassez material a abrir mão da riqueza interior e da nobreza moral.No Ocidente, o bambu foi, durante muito tempo, visto como uma “planta exótica do Oriente”. Ao contrário do pinheiro, não possui um significado cultural profundamente enraizado, sendo historicamente encarado, sobretudo, como um material funcional: leve e resistente, é adequado para o fabrico de mobiliário, papel e outros produtos. Nos últimos anos, com a difusão da cultura oriental, o bambu passou também a representar a simplicidade, a naturalidade e um certo encanto oriental.AmeixeiraA ameixeira floresce em pleno inverno. Mesmo quando as pétalas caem no solo, o seu perfume permanece, simbolizando a tenacidade e a resiliência. No Ocidente, dá-se maior atenção à ameixeira enquanto flor do início da primavera, sendo vista como um sinal de que esta estação se aproxima e como um símbolo de esperança e renovação da vida.Os Três Amigos do Inverno não são apenas dádivas da natureza, dotadas de valor prático e estético, mas também um guia espiritual para o ser humano, recordando-nos a importância de preservar a força interior, a retidão, a humildade e a coragem. Através dos tempos, e transpondo limites culturais, eles permanecem amigos silenciosos e fiéis da Humanidade. .INICIATIVA DO MACAO DAILY NEWS