Luís Newton é um dos suspeitos.
Luís Newton é um dos suspeitos.PAULO SPRANGER / Arquivo Global Imagens

Operação Tutti Frutti: Ministério Público pede ida a julgamento de presidente da Junta da Estrela

Debate instrutório do processo começou hoje, 23 de junho, no Tribunal de Monsanto. Procuradora pediu ao tribunal que nove acusados sigam para julgamento. Entre eles está também Vasco Morgado.
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O Ministério Público pediu esta terça-feira, 23 de junho, a ida a julgamento do presidente da Junta de Freguesia da Estrela e do recém-nomeado para a direção de planeamento e produção de eventos da EGEAC - Lisboa Cultura, no âmbito do processo Tutti Frutti.

No debate instrutório que começou hoje no Tribunal de Monsanto, em Lisboa, a procuradora Andrea Marques dedicou a manhã a nove dos 59 arguidos - sendo expectável que as suas exposições se prolonguem por mais sessões, uma vez que faltam dezenas de arguidos -, pedindo ao tribunal que os nove acusados sigam para julgamento.

Entre eles está o atual presidente da Junta de Freguesia da Estrela, Luís Newton, acusado de crimes de corrupção passiva e prevaricação, com a procuradora a acrescentar que “não há qualquer violação do princípio da presunção de inocência”.

O Ministério Público pediu também a ida a julgamento do antigo presidente da Junta de Freguesia de Santo António e recém-nomeado diretor de planeamento e produção de eventos da EGEAC - Lisboa Cultura, Vasco Morgado, do irmão de Sérgio Azevedo (ex-deputado social-democrata e também arguido neste processo), Francisco Azevedo, e de Ângelo Pereira, ex-vereador do PSD na Câmara Municipal de Lisboa.

Em causa estão alegados favorecimentos a militantes do PS e do PSD, através de avenças e contratos públicos, e entre os arguidos, além dos já mencionados pelo Ministério Público durante a manhã, está ainda o ex-deputado do PSD Carlos Eduardo Reis, recentemente eleito líder da distrital de Braga do PSD.

O debate instrutório que começou hoje é a última fase da instrução e tem como objetivo ouvir os argumentos do Ministério Público e das defesas dos arguidos para que o juiz de instrução possa avaliar se existem, ou não, indícios suficientes para que o processo siga para julgamento.

A acusação do Ministério Público foi deduzida em 2025 contra 60 arguidos, contando-se neste momento 59 acusados, uma vez que Fernando Braamcamp, antigo presidente da Junta de Freguesia do Areeiro e acusado de 39 crimes de corrupção passiva, morreu em abril deste ano.

O Ministério Público chegou a investigar Fernando Medina, antigo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, mas este não foi acusado, uma vez não ter sido possível deduzir que Fernando Medina tivesse atuado “com o propósito inequívoco” de beneficiar outros arguidos.

Na acusação, o Ministério Público pediu ainda que 29 dos arguidos devolvam mais de 580 mil euros ao Estado: por exemplo, a Sérgio Azevedo, antigo deputado e líder da representação do PSD na Assembleia Municipal de Lisboa entre 2013 e 2017, são reclamados mais de 123 mil euros.

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