O antigo primeiro-ministro José Sócrates
O antigo primeiro-ministro José SócratesFoto: Leonardo Negrão

Julgamento adiado para 13 de janeiro. Após recusa, juíza nomeia outra advogada oficiosa para defender Sócrates

Com o advogado do ex-primeiro-ministro hospitalizado, a juíza nomeou advogada oficiosa que invocou "objeção de consciência". Depois nomeou outra defensora que começou por recusar, mas irá defendê-lo.
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A retoma do julgamento da Operação Marquês, previsto para esta terça-feira, 6 de janeiro, foi adiado para o próximo dia 13 devido a mais um incidente relacionado com a doença do advogado de José Sócrates, que obrigou à nomeação de uma defensora oficiosa, que por ser militante do Chega e bastante crítica do antigo primeiro-ministro recusou, tendo depois sido nomeada uma outra defensora, que também não queria o caso por escassez de tempo, mas que a juíza acabou por manter.

Susana Seca, presidente do coletivo de juízes no caso Operação Marquês, decidiu convocar a advogada oficiosa Inês Louro para defender Sócrates por impossibilidade do advogado José Preto, que se encontra internado no Hospital de Santa Maria devido a uma pneumonia desde o dia 27 de dezembro, conforme comprovativo entregue no tribunal.

A possibilidade de novo adiamento do julgamento ficou logo em cima da mesa e acabou por ser confirmada, estando agora previsto ser retomado dentro de uma semana, a 13 de janeiro. No entanto, não será Inês Louro a defender Sócrates porque invocou "objeção de consciência" por ter sido eleita vereadora do partido Chega na Câmara Municipal da Azambuja.

Conforme disse à entrada do Campus de Justiça, tem ser "politicamente bastante crítica" deste processo. "Já me pronunciei de forma muito crítica sobre José Sócrates e por isso renunciei, por objeção de consciência", argumentou na altura.

A juíza Susana Seca foi sensível a estes argumentos e convocou uma segunda advogada oficiosa, Ana Velho, que inicialmente também pediu dispensa por falta de tempo de se inteirar de um processo tão extenso e complexo como é este da Operação Marquês, mas depois foi mesmo mantida no cargo pelo tribunal com o pressuposto de, após os cinco dias que terá para ter acesso ao processo, se entender que não tem condições para defender o antigo primeiro-ministro poderá pedir a renúncia.

O requerimento de José Preto ao tribunal diz que não há previsão de quando possa ter alta hospitalar e que, mesmo quando tal acontecer, poderá não estar ainda em condições de saúde para reassumir as funções profissionais. O advogado não delegou, no documento, a representação de José Sócrates, daí a decisão da juíza em convocar a advogada oficiosa.

O julgamento da Operação Marquês está interrompido desde 11 de novembro, na sequência de um confronto entre a juíza Susana Seca e Pedro Delille, que na altura pediu escusa e deixou de ser advogado de José Sócrates, tendo-se seguido a nomeação do advogado oficioso José Manuel Santos, que o antigo primeiro-ministro recusou e nomeou posteriormente José Preto como seu defensor.

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