Operação "Guita Fácil". Nove detidos por suspeitas de angariarem contas bancárias para fraudes a empresas
A Polícia Judiciária deteve nove pessoas no âmbito de uma operação, desencadeada na terça-feira (3 de fevereiro), que teve como objetivo "desmantelar uma organização criminosa, responsável pela prática de crimes de branqueamento de capitais, burla qualificada, falsidade informática e extorsão".
Com idades entre os 21 e os 26 anos, os detidos são suspeitos de utilizarem um esquema através do qual terão lesado empresas no valor de 250 mil euros, segundo estimativa desta força policial.
Na operação policial "Guita Fácil", a PJ, através da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e Criminalidade Tecnológica, realizou 16 buscas domiciliárias.
De acordo com a polícia de investigação criminal, os suspeitos "angariaram, entre agosto e setembro de 2024, várias pessoas com a finalidade de cederem as suas próprias contas bancárias para recebimento de valores provenientes de burlas, mediante contrapartidas".
Explica a PJ em comunicado, divulgado esta quarta-feira (4 de fevereiro), que, com recurso ao "modus operandi 'CEO Fraud', as empresas lesadas, sediadas no estrangeiro, eram contactadas por supostos fornecedores, através de endereços de correio eletrónico adulterados e idênticos ao dos efetivos fornecedores, que solicitavam o pagamento de faturas em dívida, para contas bancárias domiciliadas em Portugal e angariadas pelos suspeitos".
Na investigação, verificou-se que os "suspeitos constrangeram um dos ofendidos a entregar-lhes valores monetários e outros bens, sob ameaça de violência física".
Em comunicado, de modo a evitar estas fraudes, a PJ alerta para comportamentos a adotar:
- Nunca ceda a sua conta a terceiros, mesmo que lhe prometam pagamentos por esse “serviço”, dado que poderá ser responsabilizado criminalmente por branqueamento de capitais e outros crimes graves;
- Tenha em atenção as “propostas de trabalho fácil”, que envolvem o recebimento e dissipação dos valores recebidos, dado que poderão tratar-se de esquemas criminosos.
- Se for abordado com propostas deste tipo, denuncie junto da Polícia Judiciária.
- O branqueamento de capitais é um crime grave, punível com pena de prisão até 12 anos.
Em relação às empresas, a PJ alerta para a necessidade de "confirmar sempre telefonicamente qualquer alteração de dados bancários comunicada por email" e de "sensibilizar os colaboradores para este tipo de fraude".

