Operadores da Proteção Civil: sindicato alerta para falta de especialização na carreira
Foto: Gerardo Santos

Operadores da Proteção Civil: sindicato alerta para falta de especialização na carreira

Profissionais que gerem as comunicações encerram na sexta-feira uma paralisação de uma semana, que não põe em causa o serviço de socorro.
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"Há pessoas que chegam aqui e não sabem o que é um veículo de combate a incêndios, e isso reflete-se no trabalho final". O alerta é de Pedro Sampaio, operador de telecomunicações da Proteção Civil, classe que está em greve esta semana. A especialização da carreira de operador de telecomunicações de emergência é a principal reivindicação destes profissionais, que terminam na sexta-feira a paralisação.

“Não colocamos o socorro em causa. Vamos salvaguardar sempre o socorro e a intervenção dos meios necessários para as populações. Fizemos este pré-aviso de greve também para alertar para a nossa situação, para lhe dar visibilidade e para nos fazermos ouvir”, afirma o operador. A greve foi convocada pelo Sindicato Independente dos Trabalhadores da Floresta, Ambiente e Proteção Civil (SINFAP).

O dirigente sindical explica que a inexistência de uma carreira especializada faz com que qualquer assistente técnico possa pedir mobilidade para esta função. “Dado o grau de complexidade das nossas funções, entendemos que é necessária uma carreira específica. Tratamos da coordenação, da gestão e da mobilização dos meios de socorro, sejam meios aéreos, terrestres ou de proteção civil. Cabe-nos fazer o acompanhamento de todas as ocorrências, a difusão de avisos meteorológicos, gerir a rede de rádios e uma série de outras informações complexas”, detalha. Oficialmente, o nome da função é Operadores de Telecomunicações de Emergência (OPTELE).

A situação agrava-se, segundo Sampaio, pela falta de profissionais. “Temos cerca de 300 profissionais a nível nacional, mas existe uma grande carência de efetivos em todas as salas. Há muitas salas, em todo o país, praticamente sem profissionais e muito desfalcadas. Estamos, muitas vezes, dependentes de mão de obra voluntária”, sublinha.

De acordo com o operador, estas falhas são colmatadas pelos bombeiros que, embora saibam desempenhar a função, não possuem a mesma formação técnica. Outro problema é que acabam por “destapar um santo para tapar outro”, uma vez que fazem falta no combate aos incêndios, sobretudo nesta época crítica.

Para dar um exemplo da importância da função, cita a missão humanitária que foi enviada à Venezuela na sequência dos sismos recentes. “Foi acionada uma força para o sismo, para a Venezuela, não é? Nessa força vai um assistente técnico, que é um operador de telecomunicações. Então, este homem faz parte de uma força operacional, é necessário para as coisas funcionarem”, explica.

Complexidade o ano todo

Pedro Sampaio, que exerce a profissão há três décadas, chama ainda a atenção para o aumento da complexidade do trabalho ao longo de todo o ano. “Cada vez mais estamos a sentir os impactos durante todo o ano. Os incêndios deixaram de ser uma situação quase sazonal e passaram a ocorrer praticamente ao longo de todo o ano. Depois, temos fenómenos como a depressão Martinho, tivemos as cheias. Cada vez mais, para desenvolver esta atividade, é preciso ter conhecimentos técnicos e as aptidões necessárias para a desempenhar”, reforça.

Os operadores de telecomunicações de emergência foram integrados nos quadros da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) em 2021, ao abrigo do Programa de Regularização Extraordinária dos Vínculos Precários na Administração Pública (PREVPAP).

O dirigente sindical diz ao DN que foram mantidas duas reuniões após o pré-aviso de greve, uma com o Ministério da Administração Interna e outra com o comando da ANEPEC. O DN pediu esclarecimentos ao Ministério da Administração Interna, mas não recebeu resposta até ao fecho desta edição.

amanda.lima@dn.pt

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