Politécnico de Setúbal.
Politécnico de Setúbal.Foto: Global Imagens

Número de colocados no Ensino Politécnico cresce mais de 20%

Mudança de terminologia para ‘Universidades Politécnicas’ e alterações ao modelo de acesso podem estar na origem do crescimento acima da média do Ensino Superior.
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Os resultados da 1ª fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior (CNAES) registam uma subida no número de colocações nas Universidades Politécnicas. O número de colocados neste subsistema cresceu em todas as instituições, em comparação com período homólogo do ano passado e acima da média de colocações em todo o Ensino Superior, um crescimento de mais de 20%. O aumento de alunos verificou-se nos dois subsistemas: no ensino superior universitário foram colocados 30 680 estudantes, mais 2294 (+8,1%), e no ensino superior politécnico 19 311 estudantes, mais 3798 (+24,5%).

Luís Loures, presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), atribui esta melhoria a dois fatores principais: a recente alteração da denominação de ‘Institutos’ para ‘Universidades Politécnicas’ e a mudança nas regras do modelo de acesso, com o abandono da exigência obrigatória de duas provas de ingresso.

Luís Loures lembra que embora a transição para Universidades Politécnicas apenas tenha acontecido a 1 de agosto, esta “alteração contribuiu para aumentar o reconhecimento da qualidade e da capacidade instalada destas instituições junto dos candidatos, porque ‘Universidade’ é o termo que associamos mais diretamente ao Ensino Superior”. “Esta mudança promove uma maior equidade entre subsistemas, faltando agora a equiparação ao nível do financiamento para que as Universidades Politécnicas possam ser ainda mais competitivas, ganhem cada vez mais maturidade científica e possam continuar a afirmar-se e a desenvolver trabalho de excelência em áreas de investigação emergentes”, acrescenta.

Esta foi uma mudança que o CCISP reclamou com insistência, tal como a alteração legislativa também exigida pelo Conselho, visando a redução do número de provas obrigatórias para a esmagadora maioria dos cursos do Ensino Superior. “Não fazia sentido nenhum reduzir todo o percurso académico do secundário a um conjunto de provas feitas em algumas horas. Os resultados no ano passado foram muito impactados pelo modelo vigente e a alteração das regras por nós propostas ajudou a alcançar estes resultados muito mais positivos para o país e para os nossos jovens”, reforça o presidente do CCISP.

O Conselho Coordenador aguarda pelos números das segunda e terceira fases, bem como dos contingentes especiais (alunos internacionais, titulares de outros cursos, detentores de cursos técnicos superiores, entre outros) para fazer uma avaliação definitiva dos resultados do acesso ao ensino superior.

Recorde-se que treze Institutos Politécnicos passaram a Universidades Politécnicas na sequência da revisão do diploma do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES).

Foram colocados quase 50 mil “caloiros”

Foram colocados 49 991 estudantes na 1.ª fase do Concurso Nacional de Acesso, mais 6092 do que no ano anterior, um aumento de 13,9%. Mais de metade dos estudantes foram colocados na sua primeira opção de candidatura e 84,5% numa das três primeiras opções. O crescimento também teve reflexos nos cursos da área da Educação. Foram colocados 1 302 estudantes em licenciaturas em Educação Básica, mais 103 (+8,6%) do que no ano anterior. Nos últimos três anos, o número de colocados nestas licenciaturas aumentou 30,6%. Em cursos de medicina, foram colocados 1663 estudantes.

Em comunicado enviado às redações, o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) avança ainda que foram colocados 1625 estudantes beneficiários de escalão A de ação social escolar, dos quais 1252 estudantes através deste contingente prioritário. No contingente prioritário para candidatos com deficiência também se registou um aumento, com a colocação de 266 estudantes, um aumento de 75% face ao ano anterior.

Já no que se refere ao contingente prioritário para emigrantes, seus familiares e lusodescendentes foram colocados 406 estudantes, mais 102 estudantes do que no ano anterior, representando um aumento de 33,6% face ao ano anterior. No contingente prioritário para militares também se verificou um aumento (85%) de estudantes colocados. Sobraram 6639 vagas para a segunda fase do concurso.

Engenharia Aeroespacial volta a ser o curso com a média mais alta

O Curso de Engenharia Aeroespacial na Universidade do Porto voltou a ter a média mais alta (19,5 valores), pelo quarto ano consecutivo. A Universidade do Porto tem outros dois cursos entre os cinco com média mais elevada: Medicina (18,67) e Engenharia e Gestão Industrial (18,85). Em sentido contrário, está o curso de Gestão e Informática, do Instituto Politécnico de Viseu, cuja nota de entrada foi a mais baixa (9,70 valores). No total, há quatro cursos com notas abaixo dos 10 valores, nos Açores, Santarém, Beja e Lisboa.

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