Uma mulher deu à luz esta sexta-feira, 27 de março, numa ambulância no parque de estacionamento do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, depois dos bombeiros da Moita terem recebido a indicação de que ela não poderia ir para o Hospital do Barreiro, onde "tinha parto programado para hoje, às 09h00". A informação foi avançada pela SIC Notícias. Pedro Ferreira, comandante dos bombeiros da Moita, disse à estação de televisão que foram acionados por volta das 07h00 para uma mulher em trabalho de parto e, "por indicação do CODU [Centro de Orientação de Doentes Urgentes]", a grávida de 39 semanas "não pôde ir para o Barreiro e a ordem que houve do CODU foi para ir para o Santa Maria". "Foi isso que foi feito, com o apoio da VMER e depois com batedores da PSP", acrescentou àquele canal de notícias. A viagem, de cerca de 40 quilómetros, terá demorado mais de uma hora. "Segundo a equipa, tiveram de parar em Sete Rios porque estava iminente o parto, de qualquer maneira chegou a Santa Maria, mas não passou do parque de estacionamento", relatou o comandante. No ano passado, esta corporação de bombeiros realizou 15 partos em ambulâncias, o que gera preocupação, assume Pedro Ferreira. "É um número excessivo para uma corporação, é um número excessivo para Portugal. Não é nas ambulâncias que as crianças devem nascer. Devem nascer, sim, num bloco de partos. Claro que nos preocupa porque há sempre riscos para a mãe, para o bebé e para a tripulação [das ambulâncias]", afirmou. Entretanto, o INEM disse que foi contactado seis horas depois de as águas rebentarem, tendo o médico suspeitado de sofrimento fetal. E garantiu garantiu que esta mulher não tinha parto agendado para esta sexta.Segundo disse o INEM à Lusa, as águas terão rebentado pelas 01:00 e o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) foi contactado às 07:05.A informação adiantada pelo INEM indica que, às 07:08, foram acionados os Bombeiros Voluntários da Moita, que às 07:27 transmitiram ao CODU que a grávida estava estável, com rutura de bolsa e “com presença de mecónio”, uma situação que “sugere necessidade de avaliação por neonatologia”.A presença de mecónio significa que o bebé eliminou as primeiras fezes dentro do útero ou durante o parto, colorindo o líquido amniótico.O maior perigo é que o bebé inale esta mistura, o que pode obstruir as vias aéreas e provocar infeção pulmonar grave.Quando os bombeiros chegaram ao local, no Vale da Amoreira, a grávida tinha contrações com intervalo inferior a cinco minutos.O INEM acrescenta ainda que, face à evolução do quadro clínico, foi acionada a Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) do Barreiro, tendo o médico suspeitado de sofrimento fetal e decidido transportar a grávida para uma unidade hospitalar com capacidade de neonatologia.Explica ainda que a grávida foi referenciada para o Hospital de Santa Maria porque as unidades hospitalares da margem sul estavam sem vagas ou com constrangimentos nos respetivos blocos de partos.Fonte ligada ao processo disse à Lusa que o transporte decorreu com apoio de batedores.Fonte do Santa Maria confirmou à Lusa que a mulher e o bebé estão bem..Bombeiros da Moita fazem 14º parto este ano em ambulância. Grávida ia a caminho do Hospital Garcia de Orta