MP alerta para rede criminosa que utiliza forma "muito complexa" para roubar dinheiro das contas bancárias
D.R.

MP alerta para rede criminosa que utiliza forma "muito complexa" para roubar dinheiro das contas bancárias

Segundo o gabinete de cibersegurança do Ministério Público a forma de operar destes agentes criminosos visa a realização de transferências monetárias muito avultadas.
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O Ministério Público alertou esta segunda-feira, 15 de junho, para uma campanha de "phishing" e "engenharia social" que visa enganar clientes de instituições bancárias portuguesas para terem acesso às suas contas.

De acordo com aquela instituição, trata-se de "uma iniciativa criminosa muito complexa", que dão origem a transferências monetárias muito avultadas.

Este método começa com a expedição, para "muitíssimos destinatários, de forma indiscriminada, de mensagens eletrónicas fraudulentas – no caso destas campanhas criminosas, foram identificados casos de mensagens telefónicas (SMS), mas também de mensagens de correio eletrónico (email)".

Nessas mensagens, é mencionada a alegada instituição bancária que está na sua origem e os destinatários são alertados para "uma recente transferência ou outro pagamento bancário que terá sido efetuado a partir da sua conta". Ou seja, é criada a ideia de que "poderá ter havido um acesso ilegítimo à conta".

No entanto, é oferecida uma solução para o problema, que passa pelo acesso a um link ao qual o destinatário deve aceder imediatamente. Se a vítima clicar no link agregado à mensagem que recebe, acede a uma página fraudulenta, que imita a página oficial da instituição bancária, mas não corresponde à autêntica página web daquela entidade.

Nela, é solicitado à vítima que introduza diversos dados pessoais, nomeadamente os dados de identificação e de acesso à sua conta bancária. É ainda solicitado o número de telefone da vítima, que é "um elemento crucial neste processo", uma vez que permite aos criminosos avançar para a segunda parte do plano.

É que, com os dados de acesso, os criminosos "conseguem aceder à conta bancária da vítima, verificar os respetivos movimentos e ficar a saber qual é o montante em saldo".

Porém, em geral, apenas com esses dados não é possível aos agentes criminosos proceder a movimentos ou a transferências para outras contas, mas para contornarem o segundo fator de autenticação de conta, os criminosos fazem chamadas telefónicas às vítimas, identificando-se como funcionários da área da cibersegurança da instituição bancária.

Nessa conversa, demonstram conhecer detalhes sobre a vítima e a sua conta, depois de os obterem no acesso ilegítimo à conta. Informam depois a vítima de que foi identificado um movimento suspeito, de grande valor, a partir da conta bancária em causa.

Como a vítima nega ter feito tal movimento bancário, "o agente criminoso oferece-se então para reverter tal movimento, desde que a vítima o confirme".

"Esta confirmação terá que ser feita por via do segundo fator de autenticação. Isto é, para supostamente anular o movimento suspeito, a vítima tem que acionar o seu segundo fator de autenticação (que, consoante as instituições bancárias, pode por exemplo ser um código recebido por SMS ou uma confirmação numa aplicação telefónica)", explica o comunicado do MP.

Na prática, assim que é facultado aos criminosos o código do segundo fator de autenticação, é-lhe permitido que aprovem a transferência no sistema bancário e assim apoderam-se da quantia em causa.

O gabinete de Cibercrime do MP refere que este tipo de mensagens "devem ser ignoradas e apagadas, sem resposta", bem como as "chamadas telefónicas desta natureza". "Caso a vítima acabe por facultar aos agentes criminosos dados pessoais ou da sua conta bancária, importará, como primeira diligência a empreender, contactar o banco por via dos canais institucionais habituais", refere o comunicado, na qual reforça a ideia de que que "as mensagens não foram remetidas pelas instituições bancárias nem a partir de servidores daquelas entidades ou por elas geridos".

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