O movimento Parar o Hotel no Quartel da Graça, em Lisboa, alertou esta segunda-feira, 20 de julho, para a perda de 13 milhões de euros pelo Estado caso seja aceite o pedido do grupo Sana para adiar o início dos pagamentos das rendas para 2030.“Caso o Estado aceite os pedidos atualmente em análise, o início dos pagamentos seria adiado em mais de seis anos relativamente à data prevista no contrato, correspondendo a um benefício financeiro para este grupo hoteleiro de mais de 11 milhões de euros em rendas não pagas”, afirmou o movimento, em comunicado, salientando que “somando os juros de mora e as penalidades contratuais, está em causa uma perda de 13 milhões de euros para o Estado e contribuintes”.O jornal Público, no sábado, deu conta de que o grupo hoteleiro pediu o alargamento da concessão do Monumento Nacional situado em Lisboa para 75 anos e o início dos pagamentos das rendas apenas em março de 2030, alegando demora na obtenção da necessária licença para obras da Câmara Municipal de Lisboa (CML).O Ministério das Finanças pediu um parecer à sociedade de advogados PLMJ para avaliar este caso.O grupo Sana ganhou a concessão por 50 anos do Quartel da Graça em outubro de 2019, no âmbito do programa Revive, para a construção de um hotel de cinco estrelas, tendo o contrato sido assinado em dezembro do mesmo ano, prevendo que a renda teria de ser paga, pelo menos, a partir do início de 2024, o que não aconteceu.Os moradores referiram que o contrato estabelece que “o concessionário assume expressa, integral e exclusivamente a responsabilidade pelos riscos inerentes à realização da obra e à exploração da atividade”, pelo que consideram que “esta disposição contratual poderá contrariar a fundamentação apresentada para justificar os sucessivos pedidos de prorrogação”.Adicionalmente, vincaram, o grupo hoteleiro “omite as várias correções que teve de fazer ao projeto por erros da sua responsabilidade e finge ignorar que, por anos a fio, deixou o património concedido ao abandono, com custos incalculáveis”.O movimento exigiu ao Governo que esclareça porque não exige o pagamento imediato dos valores de renda em falta e “porque não pondera a revogação de um contrato tão contestado pela população local”.Já à CML, os moradores exigem que “clarifique se, tal como argumenta o grupo Sana, cometeu erros que poderão resultar numa perda de 13 milhões de euros para o erário público”, instando o presidente, Carlos Moedas (PSD), a aceitar deslocar-se ao bairro para prestar esclarecimentos públicos.A petição Parar o Hotel no Quartel da Graça, pelo fim do projeto hoteleiro e pela colocação do monumento ao serviço da comunidade, conta com mais de 11.000 assinaturas.A Lusa questionou o grupo Sana, o Governo e a CML, mas sem sucesso até ao momento. .PS pede explicações ao Governo sobre "incumprimento contratual" na concessão do Quartel da Graça.Bloco de Esquerda pergunta ao Governo se vai revogar contrato no Quartel da Graça