O cartoon de Javad Takjoo
O cartoon de Javad Takjoo

Ministro da Educação abre inquérito à questão do exame de Português que já constava em manual de estudo

Para Fernando Alexandre, trata-se de "uma falha objetiva da equipa responsável pela elaboração do exame na verificação de questões/itens já disponibilizados por editoras".
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A utilização no exame nacional de português de uma imagem previamente publicada num manual de estudo para esse exame levou esta quinta-feira, 18 de junho, o ministro da Educação a determinar a realização de uma auditoria. Segundo um comunicado do Ministério, trata-se de "uma falha objetiva da equipa responsável pela elaboração do exame na verificação de questões/itens já disponibilizados por editoras".

Na quarta-feira, quando surgiram as críticas a esta situação, o Ministério da Educação, Ciência e Inovação disse que a “elaboração do item do exame nacional em questão” foi “anterior à publicação do manual de preparação para os exames de 2026 da Leya”.

“Assim sendo, não seria possível a equipa” que faz os exames “verificar a existência prévia de um item (cujo objeto de avaliação é a escrita, com um suporte idêntico) que ainda não tinha sido publicado”, defendeu fonte do ministério.

No entanto, no comunicado desta quinta-feira, o ministério da Educação admite que, "ao contrário da informação reportada inicialmente pelo EduQA ao Ministério da Educação, Ciência e Inovação, aquele caderno de exercícios foi disponibilizado em agosto de 2025, tendo a prova sido elaborada no início de 2026".

O Ministério anunciou que pediu à Inspeção Geral da Educação e Ciência (IGEC) uma auditoria aos "procedimentos internos do Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA) no âmbito da elaboração dos enunciados dos Exames Nacionais do Ensino Secundário, designadamente ao nível da verificação de itens previamente publicados", prometendo tirar as "devidas consequências".

Além de solicitar ao IGEC eventuais propostas de medidas corretivas, o ministro solicitou ainda ao EduQA a emissão de um parecer técnico sobre os eventuais efeitos desta situação na equidade entre os alunos que realizaram a prova.

"No Exame Nacional do Ensino Secundário de Português (Prova 639), realizado esta terça-feira, foi utilizada uma imagem previamente publicada num caderno de exercícios de uma editora, existindo assim uma falha objetiva da equipa responsável pela elaboração do exame na verificação de questões/itens já disponibilizados por editoras", considera.

"A utilização da imagem em questão deveria ter sido evitada pelo EduQA, tendo em conta a prática habitual de verificação exaustiva - no âmbito da elaboração de enunciados - de cadernos de preparação disponibilizados pelas editoras, o que evitaria situações semelhantes à ocorrida este ano", defende neste comunicado, em que esclarece que "nos últimos anos, o Grupo III do Exame Nacional do Ensino Secundário de Português é constituído por um item idêntico, variando apenas o objeto das questões (uma imagem, uma frase ou um texto)".

Em causa nesta polémica está o item de resposta extensa (Grupo III da prova), em que se pedia que os alunos escrevessem uma apreciação crítica de um cartoon de Javad Tajkoo. Um exercício semelhante ao que constava do manual de estudo publicado em 2025 pela Leya.

Rapidamente surgiram críticas, havendo quem considerasse a situação "inaceitável" e até quem pedisse a anulação do exame.

Na quarta-feira, a Associação de Professores de Português (APP) considerou uma "infeliz coincidência" a inclusão de uma pergunta com um pedido de “apreciação crítica do mesmo cartoon publicado em agosto de 2025 num livro de apoio aos exames” e lamentou-a. O organismo garantiu ainda que a autora desse livro, que pertence à direção da APP, "não é autora de provas de avaliação externa, não é nem nunca foi nomeada como auditora de provas e não forneceu nem teve acesso a informação privilegiada, dado o caráter totalmente sigiloso de todo o processo".

O cartoon de Javad Takjoo
Repetição de cartoon em exame de português e manual de apoio levanta polémica
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