O Ministério Público acusou dois militares da GNR de Esposende de se apropriarem indevidamente de 7440 euros referentes a multas por infrações rodoviárias detetadas quando se encontravam ao serviço.Segundo uma nota publicada esta terça-feira, 2 de junho, na página da Procuradoria-Geral Regional do Porto, os arguidos, um homem e uma mulher, engendraram um plano, pelo menos em março de 2024, para ficar com o dinheiro das multas.Os dois militares abordavam os condutores que praticassem contraordenações e exigiam o pagamento imediato das coimas em numerário."Em vez de registarem as infrações no sistema oficial (SCoT) e entregarem os valores na sua totalidade na secretaria do posto, os militares ficavam com o dinheiro para proveito próprio", pode ler-se.Em muitos dos casos relatados, "os militares entregavam cópias de autos de contraordenação aos condutores para dar uma aparência de legalidade à fiscalização, mas nunca chegavam a formalizar o processo internamente".O Ministério Público considerou indiciada a apropriação de 4380 euros pelos dois militares em conjunto, e de 3060 euros por um dos militares isoladamente.À arguida é imputada a prática de 14 crimes de peculato e 14 crimes de abuso de poder, enquanto ao outro arguido são imputados 27 crimes de peculato e 27 crimes de abuso de poder.O Ministério Público requereu, como pena acessória, a proibição do exercício de funções públicas, assim como a perda das vantagens obtidas a favor do Estado.