Membros da Fraternidade São Pio X excomungados pelo Vaticano
Os seis bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X foram excomungados pelo Vaticano, de acordo com um comunicado assinado pelo cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé emitido esta quarta-feira e citado pela Vatican News.
O anúncio confirma o que já era esperado, após a fraternidade tradicionalista ter cortado comunicação com Roma e decidido ordenar quatro novos bispos contra a vontade do Vaticano e do Papa Leão XIV, que tinha apelado a que a cerimónia não avançasse.
Porém, esta segunda-feira, esta ordenação acabou mesmo por avançar, numa cerimónia solene realizada na localidade francesa de Ecône. Para o Vaticano, indica uma nota explicativa, esta "consagração episcopal de quatro presbíteros sem mandato pontifício e contra a vontade do Sumo Pontífice" constituiu "um ato de natureza cismática", ou seja, um corte com a comunhão com a Igreja Católica Romana, de acordo com o direito canónico.
Mas a declaração do Vaticano vai mais além dos membros eclesiásticos. Todos os fiéis leigos que "aderem formalmente" à Fraternidade São Pio X "devem ser considerados cismáticos e excomungados".
"A Igreja, como mãe solícita, acolherá com sincero afeto e viva solicitude todos aqueles que desejarem retornar à plena comunhão", ressalvou ainda a decisão.
Esta fraternidade, fundada por Marcel Lefebvre em 1988, desafia as conclusões do concílio Vaticano II, desde o qual consideram que "as autoridades da Igreja manifestam uma atitude contrária à fé e agem contra a sagrada tradição", como disse o superior da Fraternidade São Pio X, Davide Pagliarani, na quarta-feira.
Pagliarani disse que os membros da fraternidade estavam "prontos a pagar qualquer preço para salvar a Igreja" e recusou qualquer represália que pudesse advir da decisão.
"Consideramos que eventuais punições ou censuras contra este ato não têm nenhum valor", sublinhou.

