Chefe do Estado-Maior da Armada e Autoridade Marítima Nacional, Almirante Jorge Nobre de Sousa
Chefe do Estado-Maior da Armada e Autoridade Marítima Nacional, Almirante Jorge Nobre de SousaTIAGO PETINGA/LUSA

Marinha quer terceiro submarino na Lei de Programação Militar e substituição dos helicópteros das fragatas

O Chefe do Estado-Maior da Armada realçou que os submarinos podem ajudar a dissuadir potenciais ameaças e reconheceu que Portugal não dispõe da “capacidade total” para os proteger.
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O Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA), almirante Nobre de Sousa, quer incluir na proposta de Lei de Programação Militar (LPM) a compra de um terceiro submarino e a substituição dos helicópteros a operar nas fragatas.

“Tenho como prioridade um terceiro submarino e, imediatamente na sequência dessas prioridades, a substituição futura dos helicópteros das fragatas”, adiantou o almirante Jorge Nobre de Sousa, em entrevista à agência Lusa, no Centro de Experimentação Operacional da Marinha, em Tróia.

A Lei de Programação Militar, que estabelece o investimento público em meios e equipamentos para as Forças Armadas a 12 anos, terá de ser revista este ano pelo parlamento. Uma das preocupações da Marinha era a aquisição de novas fragatas, que será financiada pelos empréstimos europeus do Instrumento de Ação para a Segurança da Europa (SAFE).

Fora do negócio ficaram os helicópteros que operam nestas embarcações, uma vez que tinham sido recentemente modernizados e estão operacionais até 2035, data da primeira manutenção das fragatas a adquirir a Itália.

“Até lá temos tempo para analisar as opções de mercado e, inclusive, se nos mantemos no modelo de um helicóptero operado presencialmente ou por via remota”, acrescentou.

Quanto ao terceiro submarino, o CEMA apontou “que a capacidade submarina é a única do portfólio de capacidades do sistema de forças que tem uma componente fundamental, que é a dissuasão”.

Interrogado sobre a proteção dos cabos submarinos que atravessam a área de soberania de Portugal e são fundamentais para as comunicações a nível mundial, o almirante especializado em armas submarinas realçou que os submarinos podem ajudar a dissuadir potenciais ameaças e reconheceu que Portugal não dispõe da “capacidade total” para os proteger.

“Nessa área também é bom que nós não tenhamos ilusões. Os desafios são complexos. Mentirá quem lhe disser que consegue manter os cabos submarinos que estão nas suas áreas perfeitamente defendidos e com grau zero de possibilidade de ataque”, alertou.

Nobre de Sousa defendeu “uma visão mais articulada” entre os diferentes departamentos do Estado responsáveis pela matéria, que inclui Administração Interna e Defesa, e acrescentou que estão a ser estudadas opções como a colocação de sensores nestes cabos.

A Marinha está a fazer um conjunto alargado de aquisições, com entregas previstas nos próximos anos, incluindo seis Navios de Patrulha Oceânicos (NPO), dois reabastecedores logísticos e o porta-drones D. João II, que será entregue em abril e está a ser construído na Roménia nos estaleiros da Damen.

Interrogado sobre o facto de Portugal não lucrar com a eventual venda a outros países deste modelo, idealizado pelo anterior chefe da Marinha, almirante Henrique Gouveia e Melo, Nobre de Sousa explicou que o único estaleiro que se candidatou à construção do porta-drones com o financiamento disponível pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) impôs como contrapartida a partilha dos direitos futuros de propriedade industrial.

“Eu diria que o conforto que essa opção deu foi que reconheceram o mérito do projeto e o valor potencial. Foram as condições possíveis do negócio”, afirmou.

A entrevista decorreu durante o REPMUS, exercício internacional de robótica e veículos não tripulados, em Setúbal, com representantes de 36 marinhas, várias empresas e universidades.

O almirante detalhou que, este ano, o exercício foi reestruturado para que a Marinha portuguesa retire “maior proveito” dele. Nobre de Sousa deu como exemplo que numa edição há cerca de cinco anos a Armada estava a desenvolver a criação de uma “bolha de rede 5G”, com uso militar, mas também em contextos de catástrofe como as recentes intempéries, que cortaram comunicações.

Depois de ter participado no REPMUS, uma empresa espanhola da área das comunicações surgiu no exercício do ano passado contratada pela NATO para estabelecer uma rede 5G a partir de um navio da Armada espanhola. A Marinha portuguesa também conseguiu fazê-lo, mas aprendeu com o episódio.

Nesta entrevista à Lusa, o almirante afirmou que a tendência de saídas de efetivos do ramo diminuiu, mas avisou que a Marinha continua a perder pessoal com muitos anos de experiência, estando atualmente com 6.370 militares, menos 30% do que o autorizado.

Chefe do Estado-Maior da Armada e Autoridade Marítima Nacional, Almirante Jorge Nobre de Sousa
CEMA: Novas fragatas têm manutenção garantida até 2035
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