Mais de metade dos consumidores portugueses já opta por bebidas sem álcool em contextos de socialização, uma mudança de comportamento que reflete novas prioridades ligadas ao bem-estar e ao estilo de vida. A conclusão é de um estudo recente promovido pela Heineken em Portugal, que analisa hábitos, motivações e as barreiras ao consumo de bebidas com zero teor de álcool. "O consumo de bebidas alcoólicas é um comportamento já enraizado na socialização entre amigos e família. Por isso, quando alguém bebe versões sem álcool e sente necessidade de justificar essa escolha, o que está verdadeiramente a justificar é um comportamento que é diferente da maioria", afirmou o médico psiquiatra Gustavo Jesus, citado no estudo, e que na última semana participou do evento Bar Abert0.0, em Lisboa, promovido pela Heineken para falar sobre o consumo de bebidas sem álcool..De acordo com os dados divulados pelo estudo, 52% dos inquiridos indicam que escolhem bebidas sem álcool para socializar sem os efeitos do álcool, um valor próximo dos 58% que o fazem por motivos de condução. Já 51% associam esta opção à procura de um estilo de vida mais saudável. O estudo sugere que estas escolhas deixam de estar limitadas a situações específicas e passam a integrar o cotidiano, incluindo saídas à noite. “A questão não é tanto porque é que as pessoas querem beber sem álcool. É que as pessoas podem querer beber sem álcool e não ter de dar uma justificação para isso", sublinhou o psquiatra.A tendência acompanha o crescimento da categoria em Portugal, que registou uma subida de 11,45% no último ano, segundo dados da Associação Cervejeiros de Portugal, que no passado mês de março concedeu uma entrevista ao DN/DV, no qual foi abordada esta tendência. Entre os consumidores de cerveja sem álcool, mais de um terço afirma fazê-lo em qualquer ocasião, enquanto se destaca também uma maior adesão por parte das mulheres (54%) face aos homens (46%)..Apesar da evolução dos hábitos, o estudo revela que persistem barreiras sociais. Cerca de 37% dos consumidores dizem já ter sentido pressão para beber álcool, e 49% admitem sentir necessidade de justificar a escolha por versões sem álcool. Há ainda 11% que assumem ter inventado desculpas para evitar esse tipo de consumo. “Isso ocorre porque, quanto mais jovens são as pessoas, mais provável é que sintam pressão dos pares, porque estão numa fase da vida em que é mais importante sentirem-se integradas", explicou Gustavo Jesus. Os resultados do estudo surgem numa altura em que a marca anuncia o lançamento de uma nova bebida 0.0% prevista chegar aos supermercados portugueses em junho. Segundo o mesmo estudo, 45% dos consumidores valorizam opções sem álcool que mantenham o sabor original da cerveja, enquanto 32% demonstram interesse em novas combinações de sabores..Julia Leferman: "A cerveja é mais do que uma bebida, é um motor económico da Europa".Heineken. Cerveja sem álcool cresce 8% com novos hábitos de consumo