Jovens tem optado cada vez mais por cervejas não alcóolicas.
Jovens tem optado cada vez mais por cervejas não alcóolicas. Rui Oliveira / Global Imagens

Mais de metade dos portugueses já escolhe bebidas sem álcool para socializar

Relatório da Heineken mostra mudança de hábitos, embora ainda haja pressões sociais. "Quanto mais jovens são as pessoas, mais provável que sintam pressão dos pares", diz o psiquiatra Gustavo Jesus.
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Mais de metade dos consumidores portugueses já opta por bebidas sem álcool em contextos de socialização, uma mudança de comportamento que reflete novas prioridades ligadas ao bem-estar e ao estilo de vida. A conclusão é de um estudo recente promovido pela Heineken em Portugal, que analisa hábitos, motivações e as barreiras ao consumo de bebidas com zero teor de álcool.

"O consumo de bebidas alcoólicas é um comportamento já enraizado na socialização entre amigos e família. Por isso, quando alguém bebe versões sem álcool e sente necessidade de justificar essa escolha, o que está verdadeiramente a justificar é um comportamento que é diferente da maioria", afirmou o médico psiquiatra Gustavo Jesus, citado no estudo, e que na última semana participou do evento Bar Abert0.0, em Lisboa, promovido pela Heineken para falar sobre o consumo de bebidas sem álcool.

Tiago Almeida, Mariana Ribeiro, Rita Camarneiro e Gustavo Jesus em evento promovido pela Heineken.
Tiago Almeida, Mariana Ribeiro, Rita Camarneiro e Gustavo Jesus em evento promovido pela Heineken. Foto: DR

De acordo com os dados divulados pelo estudo, 52% dos inquiridos indicam que escolhem bebidas sem álcool para socializar sem os efeitos do álcool, um valor próximo dos 58% que o fazem por motivos de condução.

Já 51% associam esta opção à procura de um estilo de vida mais saudável. O estudo sugere que estas escolhas deixam de estar limitadas a situações específicas e passam a integrar o cotidiano, incluindo saídas à noite. “A questão não é tanto porque é que as pessoas querem beber sem álcool. É que as pessoas podem querer beber sem álcool e não ter de dar uma justificação para isso", sublinhou o psquiatra.

A tendência acompanha o crescimento da categoria em Portugal, que registou uma subida de 11,45% no último ano, segundo dados da Associação Cervejeiros de Portugal, que no passado mês de março concedeu uma entrevista ao DN/DV, no qual foi abordada esta tendência. Entre os consumidores de cerveja sem álcool, mais de um terço afirma fazê-lo em qualquer ocasião, enquanto se destaca também uma maior adesão por parte das mulheres (54%) face aos homens (46%).

Julia Leferman e Carlota Burnay, Secretária-Geral dos Cervejeiros de Portugal, concederam entrevista ao DN/DV no qual abordaram a diminuição de consumo de álcool por parte dos jovens.
Julia Leferman e Carlota Burnay, Secretária-Geral dos Cervejeiros de Portugal, concederam entrevista ao DN/DV no qual abordaram a diminuição de consumo de álcool por parte dos jovens. Foto: Gerardo Santos

Apesar da evolução dos hábitos, o estudo revela que persistem barreiras sociais. Cerca de 37% dos consumidores dizem já ter sentido pressão para beber álcool, e 49% admitem sentir necessidade de justificar a escolha por versões sem álcool. Há ainda 11% que assumem ter inventado desculpas para evitar esse tipo de consumo.

“Isso ocorre porque, quanto mais jovens são as pessoas, mais provável é que sintam pressão dos pares, porque estão numa fase da vida em que é mais importante sentirem-se integradas", explicou Gustavo Jesus.

Os resultados do estudo surgem numa altura em que a marca anuncia o lançamento de uma nova bebida 0.0% prevista chegar aos supermercados portugueses em junho. Segundo o mesmo estudo, 45% dos consumidores valorizam opções sem álcool que mantenham o sabor original da cerveja, enquanto 32% demonstram interesse em novas combinações de sabores.

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