"Luz ao fundo do túnel"? Portugal é o país mais mortal da UE (e 2º do mundo)

Os números não enganam. Em termos de novos infetados/dia vai melhorando a situação portuguesa na UE e no mundo - mas quanto a novos mortos diários isso não está a acontecer.

Quando alguns políticos - como o secretário de Estado da Saúde, António Sales - já começam a ensaiar uma narrativa de "luz ao fundo do túnel" na situação pandémica em Portugal, a verdade é que, em número de novos mortos por dia, a situação nacional continua a ser uma das piores do mundo e, de longe, a pior da UE.

A base de dados Our World In Data, que colige informação atualizada mundial numa base diária, revela que, no ratio novas mortes diárias/milhão de habitantes, Portugal é o segundo país mortal do mundo, só atrás do Peru - e apenas com uma diferença de décimas de um para outro (ver tabela em baixo).

Já no quadro da UE - e ainda neste ratio (novas mortes diárias/milhão de habitantes) -, Portugal revela-se, de longe, como o país mais mortal, atualmente. Na verdade, o número nacional (13,53 novos mortos diários por milhão de habitantes) é quase o dobro do número do país colocado na 2ª posição, a República Checa (ver tabela dos 10 mais mortais da UE em baixo). O número português é ainda mais do triplo face à média europeia.

Os números melhoram substancialmente quando se tratam dos números dos novos infetados diários/milhão de habitantes. Aí Portugal está na 24ª posição mundial - mas mesmo assim com um número superior ao da média da União Europeia (ver tabela em baixo)

No plano da UE, Portugal está em 8º lugar, ligeiramente abaixo da Hungria e ligeiramente acima da Irlanda (ver tabela em baixo com o top 10 dos países da UE com mais novos infetados por dia/milhão de habitantes). O número português está também acima do da média da União Europeia no seu conjunto.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2 400 543 mortos no mundo, resultantes de mais de 108,7 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal já morreram 15 411 pessoas dos 787.059 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde (DGS).

Os números das últimas 24 horas em Portugal indicam 90 mortes (o número mais baixo desde 5 de janeiro) e 1303 novos infetados, ainda segundo a DGS.

O boletim diário daquele organismo revela também que entre as 90 mortes está uma mulher entre os 20 e os 29 anos - desde o início da pandemia já morreram onze pessoas desta faixa etária.

"Temos de ter o bom senso de perceber, agora que temos uma luz ao fundo do túnel, com o decréscimo dos números, que temos de esperar as melhores oportunidades para que isso venha a acontecer."

Há 15 dias consecutivos que o número de recuperados supera o de novas infeções, o que tem sustentado a crescente narrativa da "luz ao fundo do túnel" que alguns políticos começam já a ensaiar.

Há uma semana, falando com jornalistas à margem de uma visita à Casa dos Atletas, da Federação Portuguesa de Futebol, o secretário de Estado da Saúde, António Sales, usava essa expressão, no contexto de uma pergunta sobre horizontes temporais para o desconfinamento.

"Temos de ter o bom senso de perceber, agora que temos uma luz ao fundo do túnel, com o decréscimo dos números, que temos de esperar as melhores oportunidades para que isso venha a acontecer. Os portugueses têm aderido muito bem a esta fase de confinamento, e o que vamos fazer é esperar com tranquilidade e fazer descer o mais possível os números, criando uma almofada que nos permita depois ter um desconfinamento gradual e progressivo, por forma a reativar o nosso tecido social e económico", afirmou

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