Líder da comunidade ucraniana Pavlo Sadokha morre aos 56 anos
O líder da comunidade ucraniana em Portugal, Pavlo Sadokha, morreu neste domingo, 13 de setembro, aos 56 anos. A notícia foi revelada nas redes sociais pela página Ucranianos em Portugal e confirmada pelo Congresso Mundial Ucraniano, de que Sadokha era vice-presidente para a Europa do Sul, sem referência direta à causa da morte, que se terá devido a causas naturais.
Numa mensagem partilhado nas redes sociais, o presidente do Congresso Mundial Ucraniano, Pavlo Grod, descreveu o presidente da Associação dos Ucranianos de Portugal como alguém que "dedicou a sua vida a servir a Ucrânia e o seu povo". E destacou o seu papel na organização de manifestações contra a agressão russa contra a Ucrânia, nos contactos com governantes portugueses e no apoio a quem luta para defender o país, bem como na organização da Marcha pela Paz, realizada todos os anos em Lisboa, e na promoção da cultura e da História da Ucrânia.
Por seu lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, disse que Pavlo Sadokha, imigrado há mais de duas décadas, assegurou que "a voz da Ucrânia era ouvida de forma clara, consistente e intransigente em Portugal", graças aos seus "princípios inabaláveis e energia inesgotável". "Perdemos um grande defensor da Ucrânia, um conselheiro de confiança e uma pessoas bondosa e com um coração enorme", concluiu o governante.
Conhecido pelo ativismo contra a invasão da Ucrânia pela Rússia e pelo reconhecimento do Holodomor enquanto genocídio da população do seu país no início da União Soviética, Pavlo Sadokha foi alvo de ameaças e de acusações vindas de militantes de esquerda. Em causa estavam sobretudo o seu passado enquanto adjunto de um deputado do partido extremista Svoboda e a apologia de Stepan Bandera, nacionalista ucraniano que lutou ao lado dos nazis durante a Segunda Guerra Mundial, apesar de ter estado preso num campo de concentração.
Até ao final da vida, o presidente da Associação dos Ucranianos em Portugal manteve apelos para que Portugal, a União Europeia e a NATO continuassem a ajudar o seu país natal a resistir à invasão russa. E dedicou-se a apoiar os refugiados ucranianos no país.


