O volume de apostas nos jogos online em Portugal ultrapassou os 23 mil milhões de euros no ano passado. Por dia e em média, registou-se um total de 63 milhões de euros investidos em resultados desportivos ou em jogos de fortuna ou azar. Estes são alguns dos dados divulgados recentemente pelo Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ) no documento referente ao quarto trimestre de 2015 e que possibilita a análise ao ano completo.O volume de apostas corresponde ao montante total utilizado pelos jogadores registados nas plataformas online e no qual se junta os depósitos diretos, as promoções e o dinheiro recebido como prémio e reinvestido. Para o total referido contribuem as apostas desportivas à cota – volume de cerca de dois mil milhões de euros, ou seja 10% do total –, e os jogos de fortuna e azar que juntam cerca de 21 mil milhões de euros.Numa comparação com 2024 registou-se uma descida nas apostas desportivas – 2053,3 milhões há dois anos e 2034,9 no ano passado – e uma subida nos jogos de fortuna e azar: 18 mil milhões em 2024, menos cerca de três mil milhões que em 2025.Receita bruta e impostosOs dados do Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos mostram, também, os valores referentes à receita bruta, ou seja a diferença entre o total de apostas realizadas e os valor atribuído em prémios. Neste caso, o total das duas formas de apostas analisadas é de 1,2 mil milhões.E é sobre este valor que as 18 entidades autorizadas a explorar as apostas online pagam o Imposto Especial de Jogo Online, que no ano passado atingiu os 353 milhões de euros. Segundo a Associação Portuguesa de Apostas e Jogos Online (APAJO), a variação foi de 5,47% em comparação com 2024.A entidade que refere, em comunicado, serem estas as “receitas brutas de jogo online com menor crescimento anual de sempre (8,49%), reforçando a tendência de desaceleração do crescimento observada nos últimos anos”.De acordo com a APAJO “em termos absolutos, as RBJ (Receitas Brutas dos Jogos) totais foram de 1.206 M€, com as de ADC (Apostas Desportivas à Cota) a fixarem-se nos 447M€ (crescimento de 3,23%, novamente por larga margem o menor de sempre), sobretudo por terem beneficiado de um ligeiro aumento da margem (22% face aos 21,1% de 2024) e as de JFA nos 759M€”.Retrato das apostas e apostadoresNo que diz respeito às modalidades escolhidas pelos apostadores, o futebol domina com larga vantagem as opções dos jogadores registados. Segundo o relatório do SRIJ, 75,6% dos palpites visam jogos de futebol, seguindo-se o ténis (10,6%) e o basquetebol (9,6%). Já nos jogos de fortuna e azar online, a principal escolha são os jogos de máquinas (80,4%), depois a banca francesa (5,9%) e a roleta francesa (4,9%). Os dados agora divulgados referem que há perto de cinco milhões de pessoas registadas nas casas de apostas, sendo que poderá existir casos de jogadores inscritos em mais do que uma entidade autorizada. Em relação às idades e local de residência dos apostadores, as estatísticas mostram que 77% têm até aos 45 anos e entre estes 34,9% estão nas faixas etárias dos 18 aos 24 anos.Quanto ao local de residência os distritos de Lisboa a Porto dominam com, respetivamente, 21,8% e 21%. No terceiro lugar surge Setúbal com 8,8%. A esmagadora maioria tem nacionalidade portuguesa (95,1%), dos restantes, a nacionalidade brasileira domina com 5,02%.Casinos e bingo em quedaUm outro documento do SRIJ inclui a análise aos resultados dos casinos e das salas de bingo. No primeiro caso, no final de 2025, a receita bruta foi de 272 milhões de euros, o que traduz uma queda de 1,15% em relação ao ano anterior.Quanto às seis salas de bingo fora de casinos que são supervisionadas, estas obtiveram uma receita bruta de pouco mais de 27 milhões de euros, registando uma descida de 1,56% quando comparado com o período homólogo. .PS pede regulação ao jogo online, que rende 300 milhões de euros ao ano.OE2026: Falta de dados sobre ganhos dos jogadores online impede quantificar eventual tributação, diz UTAO