Investigadores alertaram esta terça-feira, 12 de maio, que os incêndios florestais deverão atinjam um nível "particularmente severo" em todo o mundo em 2026, impulsionados pelas alterações climáticas e pelo fenómeno El Niño."Este ano, a época global de incêndios começou muito forte, com mais 50% de área ardida do que a média para esta altura do ano", enfatizou Theodore Keeping, académico da universidade britânica Imperial College London, durante uma apresentação aos jornalistas.A área ardida "é 20% superior ao recorde anterior estabelecido desde o início da monitorização global em 2012", indicou o investigador, prevendo um "ano particularmente severo".A área total ardida em todo o mundo atingiu cerca de 163 milhões de hectares desde o início do ano até 6 de maio, de acordo com os dados do Sistema Global de Informação sobre Incêndios, em comparação com uma média de 110 milhões de hectares no período de 2012 a 2025 até essa data.A tendência é particularmente acentuada em África, onde foi registada a maior área ardida desde 2012, com recordes históricos em países como Gâmbia, Senegal, Guiné-Conacri, Mauritânia, Mali, Gana e Togo.No total, foram queimados 85 milhões de hectares em África este ano, em comparação com o recorde anterior de 69 milhões.Os incêndios na savana nestas regiões têm sido alimentados por um fenómeno conhecido como "efeito chicote climático", que alterna períodos de chuvas fortes, promovendo o crescimento da vegetação, com períodos de seca propícios a incêndios.Os investigadores alertam também para as consequências do esperado regresso do poderoso fenómeno de aquecimento El Niño.Esta é uma fase de um ciclo natural no Oceano Pacífico, que geralmente começa na primavera e afeta gradualmente as temperaturas, os ventos e o clima em todo o resto do globo nos meses seguintes.A Organização Meteorológica Mundial alertou, embora ainda existam algumas incertezas, que o regresso do El Niño é cada vez mais provável de maio a julho, enquanto o fenómeno oposto, La Niña, diminui.Isto agravaria o aquecimento contínuo provocado pelas atividades humanas."A probabilidade de incêndios extremos e perigosos pode ser potencialmente a mais elevada da história recente se se desenvolver um El Niño forte", afirmou Theodore Keeping.O fenómeno pode tornar "as condições muito quentes e secas mais prováveis na Austrália, no noroeste dos Estados Unidos e no Canadá, e na floresta amazónica", explicou."Sabemos que os incêndios extremos estão a aumentar com as alterações climáticas, tanto em termos de emissões como dos seus impactos, tal como os mega incêndios", acrescentou Keeping.Friederike Otto, outro investigador do Imperial College, sublinhou ainda que o desenvolvimento de um El Niño forte este ano, combinado com a tendência para as alterações climáticas, resultaria em "extremos climáticos sem precedentes"..Dispositivo Especial de Combate reforçado para a região de Leiria.GNR deteve este ano 59 pessoas por fogo, a maioria por uso negligente