Tecnologia nas escolas? É inevitável e abre novas vias

Há projetos que se destacam por deixarem a tecnologia de lado, mas a tendência é para o seu uso generalizado nas salas de aula

Devem os telemóveis, tablets e computadores fazer parte do dia-a-dia dos alunos na escola. Ou pelo contrário, este deve ser um espaço livre de tecnologias e proporcionar uma aprendizagem mais virada para a natureza. Qual das teorias é melhor? A resposta não é linear, mas segundo o investigador António José Osório é "impossível tirar as tecnologias da vida das crianças". Por isso, o melhor "é ajudá-las a viver com elas, a saber usá-las e a refletir sobre o seu uso".

A nível nacional, o governo parece apostado em promover cada vez mais as "competências digitais" no uso e pesquisa de informação, tal como defendeu na terça-feira o secretário de Estado da Educação, João Costa. O próprio governante lembrou, num colóquio sobre currículo e práticas escolares em Portugal e na Finlândia que "antes só o professor era detentor do conhecimento e agora o conhecimento anda no bolso de todos e está à distância de um clique".

João Costa acredita que as tecnologias podem ajudar no combate ao insucesso escolar. E o professor da Universidade do Minho, especialista em ambientes educativos emergentes, António José Osório, elogia os recursos que esta traz para a sala de aula. "Podemos aproximar crianças do interior dos grandes centros e vice-versa e proporcionar-lhes experiências diferentes. Podemos mostrar as gravuras de Foz Coa aos alunos de Lisboa e mostrar o Jardim Zoológico de Lisboa aos alunos de Foz Coa", exemplifica. Atendendo ao mundo global, o especialista entende que "a preocupação com o uso das tecnologias faz sentido, mas as escolas que as ignoram serão sempre experiências pontuais".

Onde os aparelhos não entram

A escola inglesa Acorn e o externato português O Beiral são dois exemplos de projetos que mantêm os telemóveis, computadores e a internet à porta. No caso português são abrangidos alunos até ao 4.º ano e privilegiadas as atividades ao ar livre. Segundo a sua página online a criança é levada "a experimentar e conhecer a realidade, encantar-se pelas suas descobertas e recriar, a seu modo, o mundo que a rodeia". Tudo isto sem ecrãs. Nada que os alunos digam sentir falta, como contaram à SIC.

Em Londres, a Acorn vai um bocadinho mais longe e pede aos pais que mantenham os filhos sem acesso aos telemóveis, tablets ou computadores até aos 12 anos, também em casa. Segundo explicou a responsável ao El Mundo esta filosofia no tech (não à tecnologia) permite aos jovens estudar mais e serem mais felizes. Têm aulas de caligrafia, constroem os seus próprios brinquedos de madeira e exploram a natureza.

Ensinar a lidar com o progresso

A par destas experiências surgem as tendências gerais. E nesse campo, as previsões, por exemplo, do Horizon Report Europe da Comissão Europeia apontam para que a utilização de tablets e de aplicações online como o Google, o Skype e o Dropbox sejam comuns.

"Como é que uma pessoa pode escolher se quer um café com wi-fi ou apenas tomar um chá longe da internet?", pergunta António José Osório. "Tenho de ter isso organizado na minha cabeça. É nossa responsabilidade - dos pais e professores - ensinar as crianças a lidar com isso". Daí que o investigador acredite que é impossível para a escola passar ao lado das tecnologias.

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