O túmulo de Tutankamon não tem mais segredos para revelar

Hipótese de que existiriam ainda câmaras escondidas na sepultura do faraó egípcio foi agora descartada

Uma equipa de investigadores italianos descartou a possibilidade da existência de câmaras ocultas no túmulo do faraó Tutankamon, hipótese que entusiasmou nos últimos anos os meios académicos, anunciaram as autoridades egípcias.

Os investigadores da Universidade Politécnica de Turim, liderados por Francesco Porcelli, usaram um radar de precisão que consegue detetar através das rochas, segundo um comunicado do Ministério de Antiguidades, do Egito, citado pela agência noticiosa espanhola Efe.

Segundo a mesma fonte, não há qualquer evidência de descontinuidades nas paredes do túmulo, tendo sido identificada a transição da rocha natural para as estruturas que constituem as paredes da sepultura.

Não há nenhuma evidência da existência de batentes ou umbrais das portas, ou "refletores planos", o que poderia indicar a existência de paredes de uma câmara funerária ou áreas vazias escondidas, por detrás das pinturas a fresco que adornam as paredes da tumba do jovem faraó.

Porcelli afirmou que os testes são "conclusivos" e que pode ser descartada "com um elevado grau de confiança" a hipótese da existência de câmaras escondidas ou corredores adjacentes à tumba.

Este é o terceiro estudo por radar realizado nos últimos anos no local, concretizado para pôr termo à controvérsia gerada pelos resultados contraditórios dos dois primeiros, feitos por uma equipa japonesa e outra norte-americana.

Estas investigações foram efetuadas para tentar confirmar a hipótese formulada em 2015 pelo egiptólogo britânico Nicholas Reeves, que sugeriu que a câmara funerária da rainha Nefertiti poderia estar ocultada por detrás das paredes norte e oeste do túmulo.

A suposição de Reeves baseou-se numa racha na parede do lado norte do sepulcro do "faraó menino" que seria uma porta selada e que levaria a uma possível câmara escondida.

Tutankamon terá nascido em 1346 antes de Cristo (A.C.) e morreu em 1327 A.C., aos 19 anos, tendo reinado entre os anos de 1336 e 1327 A.C.. Sucedeu ao seu pai, o faraó Akhenaton, mas tem suscitado várias dúvidas entre os egiptólogos.

Tutankamon foi o último faraó da XVIII dinastia e durante o seu curto reinado recuperou Memphis como capital do Egito e retomou o politeísmo, abandonado pelo pai, que proclamara Aton como o único deus.

O túmulo de Tutankhamon, no Vale dos Reis, atual Luxor, descoberto em 1922, foi o primeiro de um faraó encontrado intacto, pois todos os outros túmulos reais tinham sido saqueados em maior ou menor grau séculos atrás.

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