Assalto à bomba em multibanco de prédio de ministros

O polícia que deveria vigiar o local ter-se-á ausentado

A caixa multibanco situada no prédio onde residem os ministros da Administração Interna e do Mar, Eduardo Cabrita e Ana Paula Vitorino, respetivamente, foi assaltada na madrugada de segunda-feira com recurso a explosivos. O agente da PSP que deveria vigiar o local ter-se-á ausentado e foi-lhe instaurado um processo disciplinar, avança hoje o Correio da Manhã.

O assalto ao multibanco daquele prédio, situado na estrada da Luz, em Lisboa, é o 152.º do ano. Um carro escuro parou em frente à agência do BPI onde moram Eduardo cabrita e Ana Paula Vitorino e partiu o vidro com uma marreta, descreve o jornal. Depois, os dois assaltantes causaram uma explosão, tendo saído, de acordo com um vizinho citado pelo CM, com as malas metálicas com o dinheiro.

O agente que deveria vigiar o local está a ser alvo de um processo disciplinar. Alega que estava a fazer a ronda nas traseiras, mas a PSP acredita que este se ausentou, diz o CM.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

A direita definida pela esquerda

Foi a esquerda que definiu a direita portuguesa, que lhe identificou uma linhagem, lhe desenhou uma cosmologia. Fê-lo com precisão, estabelecendo que à direita estariam os que não encaram os mais pobres como prioridade, os que descendem do lado dos exploradores, dos patrões. Já perdi a conta ao número de pessoas que, por genuína adesão ao princípio ou por mero complexo social ou de classe, se diz de esquerda por estar ao lado dos mais vulneráveis. A direita, presumimos dessa asserção, está contra eles.