O INEM recusou qualquer desmantelamento do dispositivo de emergência médica, inclusive a retirada de 100 ambulâncias. A reação ocorreu este domingo, 26 de julho, após denúncia feita pela Comissão de Trabalhadores do INEM, de que este desmantelamento iria afetar 71 municípios portugueses, incluindo Lisboa e Porto.“Não está em causa qualquer desmantelamento do dispositivo de emergência médica, a retirada de 100 ambulâncias do dispositivo operacional ou uma diminuição da capacidade de resposta às populações. Pelo contrário, o objetivo é reforçar a integração entre a emergência pré-hospitalar e os cuidados hospitalares, mantendo todos os meios integrados no Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM) sob coordenação nacional do INEM e acionamento pelos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU)”, afirmou o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), em resposta à agência Lusa.Em causa está a informação divulgada hoje pela Comissão de Trabalhadores (CT) do INEM, denunciando a “retirada de 100 ambulâncias” do dispositivo operacional próprio do INEM e considerando que tal aumentará a pressão sobre os bombeiros e a Cruz Vermelha, com “um risco acrescido” para os utentes.“Não estamos perante um reforço do Sistema Integrado de Emergência Médica. Estamos perante a retirada de 100 ambulâncias do dispositivo operacional próprio do INEM”, afirmou a CT, em comunicado, após declarações do presidente do INEM, Luís Mendes Cabral, numa entrevista transmitida na sexta-feira pela RTP, em que confirmou a transferência das ambulâncias de emergência médica do INEM para as Unidades Locais de Saúde (ULS) e a transformação das atuais ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV) em viaturas ligeiras.De acordo com a CT do INEM, “a concretizar-se esta decisão, 54 ambulâncias de emergência médica serão entregues às ULS e 46 ambulâncias SIV deixarão de ser ambulâncias, perdendo a capacidade de transporte de doentes”.Face aos dados divulgados pelos trabalhadores, o INEM afirmou que a eventual transferência da gestão das ambulâncias de emergência médica para as ULS “não implica a eliminação desses meios, que continuarão ao serviço das populações e integrados no dispositivo nacional de emergência médica”.Já a eventual adequação das atuais ambulâncias SIV a viaturas ligeiras, segundo o INEM, “resulta da necessidade de ajustar o meio à missão destas equipas, sem qualquer prejuízo da capacidade assistencial, mantendo o transporte assegurado pelos meios dedicados do SIEM”.A propósito da informação veiculada pela CT e também pelo Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH), que manifestou hoje “grande preocupação” com a retirada de 100 ambulâncias do dispositivo operacional, o INEM defendeu que “este debate deve ser feito com base em informação rigorosa” e afirmou que continuará a manter “um diálogo aberto e transparente” com as estruturas representativas dos trabalhadores.“Todas as alterações serão implementadas de forma gradual, planeada e articulada com as Unidades Locais de Saúde e os restantes parceiros do SIEM, garantindo que a continuidade e a qualidade da resposta às populações nunca sejam colocadas em causa”, realçou o INEM.Neste âmbito, os trabalhadores exigiram esclarecimentos da ministra da Saúde, Ana Paula Martins, nomeadamente se concorda e dá respaldo político a esta decisão: “Ou confirma esta opção e assume integralmente as suas consequências, ou aproveita a entrada em vigor da nova lei orgânica para substituir, na íntegra, o atual Conselho Diretivo do INEM.”Além disso, a CT do INEM decidiu agendar uma assembleia geral para os primeiros dias de agosto, “para tomada de posição e aprovação de medidas concretas”, e avisaram que a mesma “apenas será desmarcada caso o cenário agora anunciado seja alterado de forma clara, pública e inequívoca”. Também o sindicato STEPH enviou um ofício à ministra da Saúde para “um esclarecimento urgente”, avisando que, caso não haja resposta até 01 de agosto, serão desenvolvidas ações de protesto..Trabalhadores denunciam “retirada de 100 ambulâncias” do INEM, com "risco acrescido" para utentes.Técnicos do INEM e sindicato dos médicos criticam falta de meios, mais chamadas em espera e mais tempo até ao socorro