Os trabalhadores estrangeiros representam atualmente 14% dos contribuintes da Segurança Social, quando há dez anos representavam 3,5% do total. Mais de 840 mil profissionais imigrantes contribuíram em dezembro de 2025, o que corresponde a um aumento de 5,4 vezes face ao mesmo mês de 2015. Ainda no ano passado, o total das contribuições passou dos 4,1 milhões de euros, enquanto há uma década era 491 milhões de euros. O aumento foi de 8,5 vezes. Já o aumento do montante de contribuição foi de 17,6%.Os dados foram revelados pelo Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, durante a apresentação a jornalistas de um novo dashboard, que será atualizado mensalmente com informação sobre contribuições e prestações sociais pagas a imigrantes. Segundo Filipa Lima, secretária de Estado da Segurança Social, estes dados poderão ajudar a combater discursos falsos sobre o tema. “As estatísticas públicas e os dados estatísticos públicos, quando divulgados de forma isenta, imparcial e sem discriminação relativamente aos seus destinatários, contribuem sempre para elevar a literacia de todos aqueles que têm interesse em utilizar essa informação de forma correta e esclarecida”, afirmou ao DN no briefing de apresentação da nova plataforma.Uma das fake news mais difundidas é a de que os imigrantes contribuem menos do que aquilo que recebem em apoios sociais. Segundo os mesmos dados, existiam 213 mil beneficiários de prestações sociais em dezembro do ano passado, um número 3,5 vezes superior ao registado em dezembro de 2015, quando o total era de 61 mil. Entre estes beneficiários, Brasil, Angola e Cabo Verde ocupam o top três das nacionalidades que mais recorrem a prestações sociais. Excluindo a nacionalidade brasileira, verifica-se uma diferença no ranking das nacionalidades que mais contribuem: a Índia surge em segundo lugar, com 58 mil trabalhadores registados, seguida de Angola, com 54 mil. A prestação social mais utilizada é a familiar, como o abono família, na sequência está doença e, depois, desemprego.Na mesma conferência, foram ainda divulgados vários outros dados sobre o tema, que deverão ficar disponíveis para consulta pública em breve. Ao longo da última década, o número de mulheres estrangeiras com contribuições aumentou 4,5 vezes, enquanto o número de homens cresceu 6,1 vezes. A faixa etária com maior representatividade é a dos 30 aos 39 anos, tendo a faixa dos 20 aos 29 anos ultrapassado a dos 40 aos 49 anos. Na agricultura, por exemplo, mais de 40% dos trabalhadores já são estrangeiros. Verifica-se também uma forte presença no alojamento e restauração (129 mil trabalhadores), nas atividades administrativas e de serviços de apoio (122 mil) e na construção (117 mil).Filipa Lima afirmou que é uma “defensora acérrima” da transparência dos dados. “Nós entendemos que, pela qualidade de pedidos que nos chegam sistematicamente e do conjunto de informação que é evitada, é transparente disponibilizar os dados, torná-los públicos, atualizá-los com popularidade e tratá-los exatamente com a mesma isenção e imparcialidade, assim contratamos o RSI, o Complemento Comunitário para Idosos, as contribuições, as pensões. Portanto, eu sou uma defensora acérrima da disponibilização pública de dados que são de interesse comum generalizado”, avaliou, rejeitando que este dashborad possa ser visto como uma espécie de privilégio dos imigrantes.Ao mesmo tempo, explicou que não é correto falar em “saldo positivo” de imigrantes à Segurança Social. “Eu nunca poderei afirmar enquanto representante e, neste momento, responsável máximo pela Segurança Social de Portugal, que a diferença entre o valor das contribuições dadas pelos cidadãos da sociedade estrangeira e as prestações recebidas me dá um saldo líquido dos cidadãos estrangeiros para a Segurança Social, porque não temos uma desagregação completa de todas as rubricas de receita e despesa por nacionalidade”, explicou.A secretária de Estado ainda alertou que outro erro comum é confundir as prestações pagas com dinheiro de impostos com as contribuições pagas pela própria Segurança Social. Porém, este dado não está disponível. No futuro, o ministério não descarta acrescentar mais estatísticas, incluindo de cidadãos nacionais. Filipa Lima explicou que as estatísticas selecionadas para estarem nesta primeira versão vão ao encontro dos pedidos constantes que são feitos por jornalistas a respeito deste tema.Por outro lado, o dashboard que será lançado terá informação ao detalhe, como nacionalidades, idades e também por região. Por exemplo, em Beja, região predominantemente agrícola, a contribuição em 2025 foi de 102 milhões, enquanto as prestações pagas foram de 19 milhões. Em nenhum dos distritos do país o valor das prestações pagas é superior ao das contribuições. *Notícia atualizada com a percentagem da contribuição de estrangeiros. O número de 17,5% diz respeito ao aumento do montante de contribuição.amanda.lima@dn.pt.“Os serviços não estão a funcionar bem para os imigrantes”, diz bastonário dos advogados.Governo inverte lógica da migração: mais vistos nos consulados, menos pedidos no território