O primeiro dia da greve às horas extraordinárias na Agência para Integração, Migrações e Asilo (AIMA) começou como todos os outros no local: longas filas em frente à loja principal em Lisboa, com imigrantes que chegaram ainda na noite anterior para disputar uma das 30 senhas diárias distribuídas aos primeiros que chegam. A notícia da greve preocupa quem está à espera de documentos ou do andamento nos processos. O DN sabe que a adesão é grande nas lojas da região de Lisboa e também no Porto. Apesar de, à partida, não prejudicar os agendamentos, muitos temem ter o horário cancelado por causa da paralisação dos trabalhadores. Um imigrante que pediu para não ser identificado tem receio que o horário agendado há meses para trocar o visto de trabalho por autorização de residência seja afetado. “Levei meses para que me atendessem, liguei literalmente milhares de vezes até ser atendido”, explica o brasileiro, que tem apontamento para o final do mês de setembro. Artur Cerqueira, um dos representantes sindicais da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS), disse ao DN que, à partida, o trabalho de backoffice é o que terá mais impacto. Os postos de atendimento permanecem abertos e com grande procura por parte das pessoas..Meses de espera.Na fila desta quinta-feira na sede da AIMA, em Lisboa, os depoimentos obtidos pelo DN eram parecidos: depois de milhares de chamadas telefónicas e dezenas de emails sem resposta, a última esperança era madrugar na rua em frente à loja. Alguns dos casos são de pessoas que chegaram a Portugal com visto, mas, de forma diferente ao que determina a lei, não foi efetuada uma marcação para obter o título..A maior parte das pessoas ouvidas pela reportagem do DN foi até a AIMA em busca de informações sobre a Autorização de Residência renovada, que está atrasada. Há situações em que o procedimento foi realizado, com pagamento da taxa, ainda no ano passado, mas sem efeito até agora..Há meses que o DN noticia relatos de imigrantes que estão à espera do título. Até hoje, a AIMA não deu uma resposta sobre o motivo da demora. E foi em busca da mesma resposta que dezenas de cidadãos procuraram o balcão esta quinta-feira. Os 30 primeiros receberam uma senha para ir até outro balcão, nos Anjos, para tentar descobrir o que se passa..Alguns foram de TVDE, outros percorreram a pé o caminho de quase 30 minutos. A ordem era a definida pela senha obtida no local anterior. Um dos “sortudos”, que conseguiu o papel com o número 26, foi o brasileiro Gregório Alves, que efetuou a renovação do título de residência em janeiro..Morador da Margem Sul, chegou antes do amanhecer e conseguiu a disputada senha. Foi até ao Centro Nacional de Apoio a Integração de Migrantes (CNAIM) dos Anjos, como orientado no posto anterior, onde tinha que esperar horas para ter um resposta. “Estou usando um dia de férias para resolver isso”, explica ao DN o profissional de limpezas, morador em Portugal há seis anos. “Eu já perdi um dia de serviço quando vim em junho..Disseram-me que eu não tinha pago, mas eu paguei, fui no banco e pedi o comprovativo para mostrar. Não disseram nada e não resolveu, por isso vim de novo. Na época do SEF não era assim e agora com a greve vai ser pior”, complementa o imigrante, natural do estado de Minas Gerais..A greve tem previsão até 31 de janeiro. A Federação espera ser chamada para conversar com a direção da AIMA antes disso e chegar a um acordo para as 25 reivindicações dos trabalhadores, especialmente a contratação de mais funcionários..amanda.lima@dn.pt