Vão ser pagas indemnizações entre os nove e os 45 mil euros.
Vão ser pagas indemnizações entre os nove e os 45 mil euros.Rui Manuel Fonseca/Global Imagens

Igreja Católica paga mais de um milhão de euros por abusos sexuais

“Mais do que um número, cada pedido corresponde a uma história concretas”, lê-se em comunicado oficial.
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A Igreja Católica concluiu o processo de compensações financeiras às vítimas de abusos sexuais. Os valores a serem pagos estão na ordem dos nove a 45 mil euros, com 57 pedidos já aprovados, anunciou a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP). Ao todo, as compensações vão custar mais de um milhão de euros.

De acordo com um comunicado divulgado esta quinta-feira (26 de março), durante o período para apresentação dos pedidos foram recebidas 95 solicitações. Destas, 78 foram considerados elegíveis para apreciação final e 17 foram arquivados liminarmente. Existem ainda nove pedidos em fase final de análise para definição do montante e um pedido pendente, a aguardar decisão, além de mais 11 indeferimentos.

A igreja explica que as recusas foram causadas por “situações em que a pessoa denunciante era maior de idade à data dos factos e não se apurou tratar-se de um adulto vulnerável; situações em que a pessoa acusada não pertencia ao clero, nem exercia funções ou responsabilidades no contexto da Igreja; e situações que não configuravam violência de natureza sexual”.

O porta-voz da CEP, Manuel Barbosa, dirigiu-se às vítimas com “profundo respeito pela sua dor e com consciência de que estamos perante feridas profundas, que marcaram as suas vidas de forma duradoura”. Novamente, afirma “reconhecer a gravidade do sofrimento vivido, tantas vezes carregado em silêncio durante anos, agradecemos verdadeiramente o testemunho que nos confiaram e renovamos o nosso pedido de perdão por todo o mal causado”.

É reconhecido, ainda, que dinheiro “não apaga o que aconteceu nem elimina as consequências dos abusos na vida de quem os sofreu”. O objetivo do pagamento é “reconhecer o sofrimento e a dignidade de cada pessoa que passou por tais atentados, procurando a reparação possível dos danos sofridos”.

O gesto é definido não como um “gesto isolado, mas parte de uma responsabilidade que a Igreja deve assumir humildemente, inserida num compromisso mais amplo que inclui a escuta, o acompanhamento, a prevenção e a intervenção através das estruturas competentes”.

Mais diz que o encerramento do capítulo dos pagamentos “não significa o fim da responsabilidade” da igreja. “Continuaremos disponíveis para acolher, escutar e acompanhar as vítimas, e reafirmamos o nosso compromisso em prosseguir uma cultura de responsabilização, cuidado e prevenção”.

O objetivo é “garantir, tanto quanto possível, que situações de abuso não se voltem a repetir e que os ambientes eclesiais sejam espaços seguros e capazes de proteger todas as pessoas”.

amanda.lima@dn.pt

Vão ser pagas indemnizações entre os nove e os 45 mil euros.
Vítimas de abuso sexual na Igreja vão receber entre 9 e 45 mil euros cada uma

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