Identificados dois adeptos por importunarem jornalista da CMTV junto ao estádio da Luz
Dois adeptos foram identificados pela PSP por importunarem um jornalista que fazia um direto junto do estádio da Luz após o jogo entre o Benfica e o Real Madrid, na terça-feira. Em comunicado, a PSP informa ainda que o Comando Metropolitano de Lisboa, através da 3.ª Divisão Policial, formalizou, junto do Ministério Público, uma participação criminal relativa a este incidente.
O jornalista da CMTV Pedro Neves de Sousa foi interrompido por adeptos, num momento que foi transmitido pela estação de televisão. "Foi impedido de se movimentar livremente e de prosseguir com a emissão em direto. Foram proferidos diversos impropérios e insultos a curta distância, num claro intuito de coação moral e física. O jornalista foi inibido de exercer as suas funções devido ao clima de hostilidade criado", descreve a PSP, acrescentando que a identificação dos adeptos foi feita através da análise das imagens emitidas pelo próprio canal de televisão.
"Em causa estão atos de pressão e coação exercidos contra um jornalista no pleno exercício das suas funções profissionais", refere o comunicado da PSP, garantindo que "as diligências processuais continuarão a ser desenvolvidas no sentido de serem apurados mais provas e de levar à Justiça os responsáveis por estes atos".
Na quinta-feira, o Sindicato dos Jornalistas (SJ) condenou as agressões de adeptos e de um funcionário do Benfica a jornalistas da CMTV, considerando-as intoleráveis e um atentado à liberdade de imprensa.
“A direção do Sindicato dos Jornalistas condena de forma veemente a agressão física que relata o jornalista Gustavo Lourenço, da CMTV e NOW, por parte de um funcionário do Sport Lisboa e Benfica. E condena, igualmente, os ataques verbais dirigidos ao jornalista Pedro Neves de Sousa, da mesma estação, por adeptos do clube após a derrota frente ao Real Madrid”, disse em comunicado
Segundo informação pública, Gustavo Lourenço foi atingido com uma chapada na mão que segurava o microfone para o impedir de, num espaço público, colocar questões a membros da equipa de futebol masculino do clube.
Neste sentido, o SJ referiu que os assessores de imprensa não têm qualquer direito de impedir jornalistas de colocar as questões que bem entenderem num espaço de acesso público.
“Cabe a jornalistas fazer perguntas. E aos jogadores, se assim o entenderem, recusar prestar declarações. Não se pode normalizar o esforço das assessorias de imprensa, muito menos com recurso à violência, para submeter o trabalho jornalístico aos seus critérios de conveniência”, sublinhou a entidade.
O SJ acrescentou ainda que a gravidade do comportamento fica demonstrada pelas declarações intimidatórias do assessor de imprensa Gonçalo Guimarães durante um treino da equipa do Benfica, garantindo que repetiria a atitude "as vezes necessárias".
É ainda inadmissível que depois destas declarações, gravadas, o clube anuncie o corte de relações institucionais com a Medialivre, empresa que detém os órgãos de comunicação social, realçou o sindicato.
Para o SJ, estes comportamentos contribuem para normalizar a hostilidade contra profissionais da comunicação social e legitimar atitudes impróprias, como testemunhado em direto na CMTV no dia seguinte à denúncia, “quando adeptos do Benfica acossaram o jornalista Pedro Neves de Sousa, cometendo novo delito, classificado como crime público”.

