Hospital Santa Maria admite estar "acima dos limites"

O Centro Hospitalar Lisboa Norte reconhece uma situação de "máxima sobrecarga" no Hospital de Santa Maria, já a trabalhar "acima dos limites" estabelecidos no seu plano de contingência.

O Hospital de Santa Maria, em Lisboa, que tinha nas últimas 24 horas 201 internados com covid-19, 44 dos quais em unidade de cuidados intensivos (UCI), considera que não está a viver "uma situação de caos".

Numa conferência de imprensa esta tarde, Daniel Ferro, presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar Lisboa Norte afirmou que Santa Maria está em "máxima sobrecarga" e já a trabalhar "acima dos limites". "O plano de contingência foi esgotado", afirmou, dizendo que a pressão aumentou 70% nos últimos dias, sendo além do mais de esperar que essa pressão prossiga nos próximos dias.

Numa resposta enviada à agência Lusa, quando questionado sobre a fila de ambulâncias que na noite de sexta-feira se acumularam à porta da urgência, o Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN) reconheceu a existência de uma "grande pressão assistencial", afastando porém ter havido "uma situação de caos", e adiantou o reforço da capacidade de resposta à covid-19.

"Perante a grande pressão na urgência dedicada a doentes respiratórios e nos internamentos, o Centro Hospitalar de Lisboa Norte alargou o plano de contingência covid, o que prova não só que não está em rotura", como houve "capacidade de adaptação do seu plano às necessidades assistenciais", informou fonte da administração, à agência Lusa.

"No âmbito da urgência covid, nas próximas horas, o hospital irá reforçar a capacidade de resposta desta urgência com uma segunda estrutura, junto à Urgência Central, com capacidade para cerca de 10 doentes, pelo que os atuais postos de atendimento/boxes/quartos da urgência autónoma passarão de 33 para 51 durante a próxima semana", lê-se na mensagem do hospital.

No que respeita ao internamento, a capacidade covid em enfermaria passará das atuais 160 para 200 camas, "com a abertura, na sexta-feira última, de uma enfermaria com cerca de 20 camas e mais 20 camas noutra enfermaria, que começa a funcionar no início da semana".

Ao nível dos cuidados intensivos, a capacidade atual de "internamento covid" contempla 48 camas, estando previstas, em caso de necessidade, mais 10 vagas em UCI num próximo passo, de acordo com a assessoria do conselho de administração deste centro hospitalar.

"Em pouco mais de uma semana, o CHLN somou um total de 90 camas ao seu plano de contingência covid -- de um total de 160 para 250 camas, entre enfermarias e UCI -, aumento que é acompanhado também pela criação de vagas de internamento para doentes não covid", sublinhou.

Quanto à situação do Hospital de Santa Maria, a assessoria não considera o acumular de ambulâncias uma "situação de caos", mas antes resultado de uma "grande pressão assistencial".

"A covid-19 é uma doença que implica tomadas de decisão que não são fáceis, (...) e processos morosos para determinar com clareza se existe de facto infeção pelo novo coronavírus", o que conduz à "morosidade nos processos de tomada de decisões", lê-se na mensagem do CHLN.

O CHLN envolve o Hospital de Santa Maria e o Hospital Pulido Valente (que não tem atendimento covid).

O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, no entanto, denunciou hoje que há doentes transportados para os hospitais a passar "horas nas macas das ambulâncias", tendo sido já registada a morte de um paciente, antes de entrar na unidade hospitalar.

"Recebi uma informação de um doente que morreu dentro de uma ambulância. Isso é garantido", avançou à agência Lusa o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), Jaime Marta Soares, assumindo que estes estão a viver "momentos muito difíceis e muito complicados", porque estão a ser eles a fazer "quase de hospitais".

Segundo Marta Soares, as ambulâncias dos bombeiros estão a ficar retidas com doentes em muitos dos hospitais do país, durante horas.

"Chegamos lá [aos hospitais], não há macas, e muitas vezes eles estão horas nas nossas macas, alguns dentro das próprias ambulâncias, a ponto de já terem morrido cidadãos dentro das próprias ambulâncias, e muitas vezes as nossas macas ficam lá retidas, nos corredores, nas urgências, onde efetivamente esses hospitais se servem do nosso equipamento para garantir o resguardo dos doentes, já que não têm capacidade com camas, nem com macas", para fazer a receção, descreveu.

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