O Inspired Education Group vai disponibilizar um pacote de 750 mil euros em bolsas de estudo para alunos residentes em Portugal a partir do próximo ano letivo. A medida surge em resposta a um crescimento sem precedentes na procura por bolsas de estudo nas escolas do grupo em Portugal no último ano letivo, passando de 36 candidaturas para 237, o que representa um salto superior a 550%. Para responder a este pico de procura por ensino internacional no país, e de acordo com dados a que o DN teve acesso em exclusivo, o maior grupo global de educação privada vai atribuir 30 bolsas académicas dirigidas a alunos do 7.º ao 12.º ano que residam nas áreas envolventes dos seus colégios no país.“Tivemos 30 ou 40 vezes mais procura pelas bolsas do que tínhamos no programa mundial. Com base nisto, o grupo decidiu que tínhamos uma responsabilidade social de tentar dar oportunidades a mais famílias”, revelou em exclusivo ao DN John Leitão, CEO Regional do Inspired Education Group para Portugal, Norte da Europa e Grécia..“Ambos os modelos servem os seus propósitos. O sistema público nacional tem uma importância enorme e tem feito avanços incríveis ao longo dos anos. O nosso papel é um papel de inovação.” John Leitão, CEO Regional do Inspired Education Group. Diferenciando-se das bolsas globais do grupo (o programa Nadim’s Olympus Scholarship, focado em bolsas integrais para perfis internacionais e refugiados – ver mais abaixo), este novo programa local assenta num modelo de Need-Based Scholarship. A percentagem exata de cobertura de cada bolsa, e conforme estabelecido no regulamento disponibilizado no portal oficial do Inspired Education Group, é aferida caso a caso, mediante uma avaliação individual das circunstâncias sociais, familiares e económicas de cada agregado candidato.As novas bolsas locais vão cobrir entre 20% e 100% dos custos académicos. O grupo tem quatro escolas em Portugal : Park Alfragide, St. Peter’s School (Palmela), King’s College School (Cascais) e Colégio Internacional de Vilamoura.Corrida aos colégios imposta pelo mercado globalSem se querer pôr em causa o prestígio das escolas do grupo, no país ou no mundo em termos globais, refletirá esta subida exponencial de candidaturas uma perda de confiança no Ensino Secundário tradicional em Portugal ou a alegada crise do ensino público nacional? John Leitão rejeita liminarmente tal leitura. O responsável luso-britânico sustenta que o fenómeno decorre, sobretudo, da exigência acrescida do mercado global e do desejo das famílias por um modelo educativo exigente e diferenciado.E para aqueles que, no país, diabolizam o ensino privado e em resposta aos recorrentes debates em torno da oposição entre o ensino público e o privado em Portugal, o CEO Regional recusa qualquer lógica de rivalidade e sublinha a complementaridade dos dois sistemas.“Ambos os modelos servem os seus propósitos. O sistema público nacional tem uma importância enorme e tem feito avanços incríveis ao longo dos anos. O nosso papel é um papel de inovação”, afirma John Leitão. “Somos um grupo mais pequeno e conseguimos ter mais agilidade. A nossa capacidade de trazer as melhores práticas pedagógicas de equipas em 30 países para a mesma organização é a nossa grande mais-valia”, reforça. Uma rede globalA nível global, o Inspired Education Group – fundado há 11 anos pelo empresário e investidor libanês Nadim Nsouli – conta já com cerca de 125 escolas em 30 países, preparando-se para ultrapassar a fasquia dos 100.000 alunos em todo o mundo. Em Portugal, onde o grupo entrou em 2019, o ecossistema educativo do Inspired integra atualmente cerca de 6000 alunos, afirmando-se como um dos principais operadores do ensino privado no país.Neste momento, em Portugal, os colégios do grupo cobrem todo o percurso escolar, desde os berçários até ao Ensino Secundário. E para John Leitão não restam dúvidas: por trás deste aumento vertiginoso da procura por vagas nos colégios do grupo está a busca das famílias por padrões elevados de educação num contexto de crescente competitividade mundial: “O mundo é cada vez mais competitivo, as famílias querem dar o máximo de vantagem possível aos seus filhos e procuram dar uma educação de excelência às suas crianças.”Até porque, como destacou John Leitão, o modelo de ensino do Inspired Group dá às famílias a versatilidade necessária para que os estudantes transitem facilmente para o Ensino Superior fora de Portugal a qualquer momento (ver adiante).Vistos Gold e os estrangeirosSegundo o responsável, o salto na procura pelos estabelecimentos de ensino internacional em Portugal foi também impulsionado por dois perfis distintos de famílias. Entre um terço e metade dos alunos provém do afluxo de estrangeiros ao abrigo de regimes fiscais e de residência – os Vistos Gold. “Há um crescimento enorme de residentes não-habituais e Golden Visas que estão a entrar, e essas famílias precisam de uma solução internacional. Poucas põem os filhos na escolaridade portuguesa, porque depois não têm alternativa para manter uma rota internacional se voltarem para fora”, explica.A outra metade da procura é preenchida por famílias portuguesas que procuram um modelo educativo holístico – assente no rigor académico, no desporto e nas artes performativas – e na flexibilidade de percursos no Ensino Secundário.No grupo Inspired, os estudantes podem optar pelo Ensino Secundário português, pelo International Baccalaureate (IB) ou pelos exames ingleses Cambridge A-Levels, o percurso britânico de acesso à faculdade.Três pilares educativosA abordagem pedagógica do Inspired Education Group e dos seus colégios em Portugal assentam em três pilares estratégicos que fundem a excelência académica, com as artes criativas e performativas, e a prática regular do desporto. Se a primeira se foca na capacidade de pensamento crítico e no currículo de topo, que o aluno vai adquirindo – as segundas trazem-lhe as aptidões pessoais e físicas para potenciar o desenvolvimento de jovens bilingues, resilientes, autoconfiantes e globalmente preparados para os desafios do futuro.. Por isso, o processo de admissão desenrola-se em três fases exigentes que, de certo modo, procuram também aferir estas aptidões ou capacidade de adaptação, como conta John Leitão. Na primeira, os alunos submetem o percurso escolar e realizam testes cognitivos internos (como o CAT4). A segunda fase envolve entrevistas com a equipa de liderança académica e de bem-estar (well-being), constituída por psicólogos dedicados em cada escola. A etapa final consiste numa entrevista com o diretor do colégio, responsável por submeter a proposta de bolsa à administração.“Avaliamos as necessidades financeiras da família e adaptamos a bolsa. Vou dar um exemplo: eu fui para Harvard, nos Estados Unidos, e também tive uma Need-Based Scholarship quando fui para lá”, nota o responsável.Novo liceu em Alfragide com investimento de 40M€A par do programa de apoio financeiro, o Inspired Group está a concluir um dos maiores investimentos imobiliários e pedagógicos no setor do ensino privado em Portugal: a construção do Park College, em Alfragide.“Estamos prestes a lançar o novo edifício dedicado ao Ensino Secundário (Senior School). Vamos ter o primeiro liceu internacional em Portugal com um edifício totalmente dedicado e desenhado para estas idades, com laboratórios próprios, departamentos de Matemática e Ciências, biblioteca e cantina próprias”, detalha John Leitão. Tratando-se de um investimento “substancial, um pouco acima dos 40 milhões de euros”, a inauguração está agendada para o próximo ano letivo.A expansão do grupo em Portugal não se fica pela Grande Lisboa. Além das remodelações contínuas no Colégio Internacional de Vilamoura, o Inspired Group admite estar a preparar a entrada no norte do país. “Continuamos a estudar potenciais instalações para converter para escolas, nomeadamente na zona do norte do país, no Porto, que é uma zona onde ainda não estamos presentes”, confirma o CEO Regional.“Nós não damos apenas conhecimento académico, mas também forçamos as crianças a pensar, a criar projetos, a desenvolver o pensamento crítico. A partir do 7.º ou 8.º ano, os nossos university advisors” – o equivalente a orientadores de carreira – “começam a trabalhar com os alunos e famílias para ajudar a encontrar o melhor caminho para a faculdade que desejam”, destaca John Leitão.Mobilidade docente contra a escassez de professoresA escassez de docentes que afeta o setor educativo a nível global é também sentida nas escolas internacionais. Em Portugal, o grupo emprega 800 professores (num universo global de 10.000 docentes distribuídos por cerca de 30 países). Para atrair e reter talentos, a multinacional aposta no desenvolvimento de carreira e na mobilidade geográfica.“No ano passado, 18% das nossas colocações de professores foram feitas internamente. Há uma oportunidade dentro do mundo Inspired de um docente começar em Portugal e depois ir dar aulas para o Panamá, Suíça ou Nova Zelândia”, conclui John Leitão.Razão por que o corpo docente dos colégios do Inspired Group é composto por várias nacionalidades, embora a maioria dos professores sejam “ locais e ingleses”, admite. . Jovens resgatados da guerra estudam agora em Portugal Solidariedade: Através de bolsas integrais do Inspired Education Group, estudantes da Palestina e da Ucrânia têm propinas, alojamento e fardas totalmente cobertos. O Inspired Education Group está a acolher em Portugal jovens estudantes oriundos de cenários de conflito armado, como a Palestina e a Ucrânia. A iniciativa decorre do programa mundial de bolsas Nadim’s Olympus Scholarship, concebido para dar acesso a um ensino de excelência a alunos excecionais em situação de extrema vulnerabilidade.Em Portugal, instituições de ensino como o King’s College School, em Cascais, e o St. Peter’s School, em Palmela, já integram estudantes ao abrigo deste projeto de apoio social e de mérito académico. De acordo com John Leitão, CEO regional do Inspired Education Group para Portugal, Norte da Europa e Grécia, o acolhimento destes jovens responde a uma urgência humana. “Acho que o caso mais enigmático é em tudo o que é zonas de guerra, como a Ucrânia e a Palestina. São crianças que neste momento não têm sequer acesso a uma educação de excelência e que nós tentamos ajudar ao máximo possível”, sublinha o responsável.Atualmente, o grupo conta com bolseiros internacionais a frequentar o ensino em regime de internato nas suas escolas no país. “Tenho neste momento quatro alunos em Portugal, dois em Cascais, dois no Saint Peter’s”, revela Leitão, destacando que a integração envolve frequentemente operações de apoio complexas, como os esforços recentes para resgatar uma criança da Palestina em situação frágil.A iniciativa foi lançada há cerca de dois anos por Nadim Nsouli, fundador e CEO global do Inspired. Criado há 11 anos sob a premissa de que “as escolas juntas seriam mais fortes do que individualmente”, o grupo - hoje o maior interveniente privado na educação mundial, com quase 100 mil alunos em 30 países - aloca 50 bolsas integrais globais ao abrigo deste programa.Segundo John Leitão, o Nadim’s Olympus Scholarship foca-se em perfis de elevado mérito e de contexto desfavorecido: “São bolsas integrais, portanto, bolsas que pagam a anualidade, as propinas, a acomodação, os uniformes, etc., e que temos vindo a recolher candidatos desfavorecidos do mundo inteiro”.