O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) anunciou esta segunda-feira, 20 de abril, uma greve nacional para 12 de maio nos setores público, privado e social para exigir ao Governo que “resolva vários problemas” para permitir dignificar a profissão.“É uma greve nacional de toda a enfermagem portuguesa. Onde exerçam a atividade, os enfermeiros estarão cobertos pelo pré-aviso de greve”, adiantou à Lusa o presidente do sindicato, José Carlos Martins.Segundo o dirigente sindical, para 12 de maio, coincidindo com o Dia Internacional do Enfermeiro, está prevista ainda uma manifestação em Lisboa, que vai partir do Campo Pequeno, terminando junto ao Ministério da Saúde.É uma greve e uma manifestação pela “dignidade dos enfermeiros e pela dignificação da enfermagem”, salientou o presidente do SEP, para quem, apesar de estarem a decorrer negociações com o Governo sobre o Acordo Coletivo de Trabalho, “importa resolver problemas” que estão a afetar esses profissionais de saúde há vários anos.“Apesar de estarmos em negociações, temos um rol de problemas que queremos ver resolvidos”, entre os quais a contagem de pontos para efeitos da progressão na carreira”, referiu José Carlos Martins.O dirigente do sindicato lamentou ainda que a enfermagem seja o "único setor na Administração Pública - e também na saúde - que não recebeu os devidos retroativos", no âmbito da contagem de pontos, entre 2018 e 2021.Com esta greve, o sindicato reivindica também a contratação de mais enfermeiros para os setores público e privado e para as instituições particulares de solidariedade social (IPS), assim como a resolução dos vínculos precários.Além disso, esses profissionais de saúde “não estão disponíveis”, no âmbito do pacote laboral, para que o Ministério da Saúde “venha impor, através do banco de horas, que trabalhem mais horas” sem serem consideradas como trabalho extraordinário, para efeitos do respetivo pagamento.Sobre o Acordo Coletivo de Trabalho, que está em negociação, o sindicato disse esperar que o Ministério da Saúde “evolua nas suas propostas”, no sentido de retirar o banco de horas e a adaptabilidade.“Esperamos uma grande adesão” à greve de 12 de maio, referiu José Carlos Martins, adiantando, porém, que, nas últimas paralisações da enfermagem, o Tribunal Arbitral tem vindo ampliar os serviços mínimos, definindo que têm de trabalhar o mesmo número de enfermeiros do que os escalados para os domingos.A última grave nacional dos enfermeiros, convocada pelo SEP, decorreu em 20 de março, registando uma adesão de cerca de 71%, de acordo com os números avançados pelo sindicato.Na altura, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, lamentou a greve, salientando que o Governo estava a trabalhar para dar resposta a algumas reivindicações da classe.“É uma greve que lamentamos. Respeitamos, como é óbvio, mas lamentamos porque estamos a trabalhar com os enfermeiros”, afirmou a titular da pasta da saúde, em declarações aos jornalistas em Évora..Ministra lamenta greve dos enfermeiros por haver negociações em curso