O Metropolitano de Lisboa está esta quinta-feira, 9 de abril, fechado devido a greve de 24 horas dos trabalhadores, facto que tem provocado uma sobrelotação nos outros transportes públicos, nomeadamente autocarros, constatou o DN no terreno.Segundo disse fonte sindical à Lusa, a paralisação teve a adesão da totalidade dos trabalhadores das categorias profissionais abrangidas pelo pré-aviso de greve.Segundo Sara Gligó, dirigente da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS), o pré-aviso de greve englobava inspetores, encarregados do Posto de Comando Central, Sala de Comando Central e Comando de Energia e da Tração.De acordo com a sindicalista, durante o dia de quarta-feira o sindicato reuniu com a empresa “para tentar resolver a questão da greve e, embora a empresa tenha feito já um esforço em aproximar-se das pretensões dos trabalhadores”, ainda não chegaram para ser aceites por estes.“Até ao momento de apresentação do pré-aviso [de greve] tivemos várias reuniões com o Conselho de Administração da empresa para desbloquear as questões mais prementes para este conjunto de categorias”, explicou Sara Gligó, adiantando que “houve diálogo e a empresa tentou vir ao encontro daquilo que os trabalhadores pretendem”.. Após a reunião, e já cerca das 23:00, o sindicato ainda falou com os trabalhadores, “não propriamente em plenário”, mas foi dado conta do resultado da reunião com a empresa, e “manteve-se a greve” de 24 horas, acrescentou a responsável sindical.Está ainda agendada uma nova greve para dia 14 de abril, terça-feira, também de 24 horas, não tendo sido também decretados serviços mínimos - conforme decisão do Tribunal Arbitral constituído no Conselho Económico e Social, que determinou apenas a prestação de serviços necessários à segurança e manutenção de equipamentos e instalações -, apesar do pedido da administração do Metro de Lisboa.De acordo com a decisão, deverão ser assegurados três trabalhadores no Posto de Comando Central, preferencialmente um inspetor de movimento, um encarregado de movimento e um encarregado da sala de comando e de energia, devidamente identificados pelos sindicatos..Metro de Lisboa encerrado devido a greve. Sara Gligó reiterou não estarem em causa aumentos salariais nestes dois dias de greve, mas sim “questões de serviço, condições de trabalho, formação de trabalhadores para as categorias em greve e o retirar de algumas funções”.“Há algumas situações de assédio laboral e, não sendo garantido o número de vagas que nós entendemos que ainda faltam, que remontam, inclusivamente, a acordos de 2019, existe supressão de alguns postos de trabalho, tendo alguns dos trabalhadores, nesta altura, de fazer o trabalho de duas chefias”, precisou a sindicalista.Embora reconhecendo que a empresa tenha ido ao encontro de “algumas pretensões”, Sara Gligó disse que existe um conjunto de questões “muito específicas, como trocas diretas entre trabalhadores, que nesta altura a empresa não está a aceitar”.A questão das funções das chefias e o facto de não estarem “garantidas que não vão existir mais situações de assédio laboral a estes trabalhadores”, são outros motivos de descontentamento dos funcionários em greve, acrescentou.Na quarta-feira, a administração do Metro de Lisboa anunciou estar previsto que o serviço iria estar encerrado entre as 23:00 desse dia e as 06:30 de sexta-feira, devido à greve dos trabalhadores.“Embora as reivindicações incidam sobre seis das cerca de 40 categorias profissionais existentes no Metropolitano de Lisboa, correspondentes a aproximadamente 6% dos 1.600 trabalhadores, as condições de operação ficam comprometidas na sua globalidade”, pode ler-se na nota do CA do Metro.Segundo a administração, até às 16:30 de quarta-feira foram mantidas “negociações com as organizações representativas dos trabalhadores”, tendo apresentado, disse, “soluções concretas para cada uma das matérias suscitadas pelas organizações sindicais”, entre ações já em curso e medidas previstas.Esta quinta-feira, segundo Sara Gligó, a estrutura sindical irá enviar nova proposta dos trabalhadores à administração do Metro de Lisboa, que terá até segunda-feira “tempo de analisar se quiser que os trabalhadores não avancem para nova greve de 24 horas na terça-feira”..Greves no Metro de Lisboa sem serviços mínimos a 9 e 14 de abril