Governo de Cabo Verde acompanha "com naturalidade" buscas em centro de vistos

Portugal poderá ser a porta de entrada ilegal para cidadãos que depois seguem para outros países da União Europeia

O ministro das Relações Exteriores de Cabo Verde disse hoje que o Governo do país está a acompanhar "com naturalidade" o caso das buscas e apreensões feitas pelo Ministério Público português no Centro Comum de Vistos (CCV) do arquipélago.

O Ministério Público confirmou esta semana a realização de uma "diligência de busca e apreensão" no Centro Comum de Vistos (CCV) de Cabo Verde, onde estão a ser investigadas suspeitas de crimes de corrupção passiva e auxílio à emigração ilegal.

"Com naturalidade temos vindo a acompanhar. Estou muitas vezes em contacto com o cônsul de Portugal em Cabo Verde, João Mendes, que é o responsável pelo Centro Comum de Vistos, mas com muita naturalidade, com sentido de responsabilidade", disse Luís Filipe Tavares.

"Nós acreditamos nas instituições e o CCV é uma grande instituição e saberá encontrar as melhores formas de ultrapassar as dificuldades que, eventualmente, possa estar a ter neste momento", prosseguiu o ministro, que falava à imprensa à margem da tomada de posse de José Filomeno como novo embaixador de Cabo Verde na Bélgica, país que, em parceria com Portugal e Luxemburgo, criou o projeto em 2010.

Segundo avançou a imprensa cabo-verdiana, Portugal poderá ser a porta de entrada ilegal para cidadãos que depois seguem para outros países da União Europeia (UE), através de um alegado esquema de emissão fraudulenta de vistos, que servirá "uma suposta rede de tráfico de pessoas para a União Europeia a partir de Cabo Verde".

Fonte da Procuradoria-Geral da República confirmou à Lusa a realização, em julho, de uma diligência de busca e apreensão no cento, no âmbito de um processo dirigido pelo Ministério Público e em investigação no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).

Na diligência, que decorreu com conhecimento das autoridades judiciárias de Cabo Verde, participaram um juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal, um magistrado do Ministério Público do DCIAP e três inspetores da Polícia Judiciária.

O ministro disse que o Governo cabo-verdiano ainda não contactou as autoridades portuguesas, visto ser um "assunto interno" do Governo português.

"Respeitaremos as decisões e vamos acompanhando e penso que seremos informados em tempo certo e quando as autoridades portuguesas entenderem", prosseguiu o governante, considerando que as relações entre os dois países são excelentes que não vão ter problemas por causa deste caso, cujo inquérito "não tem arguidos constituídos" e encontra-se "em segredo de justiça".

O ministro disse também que o caso não vai afetar as relações entre Cabo Verde e a UE.

"As relações entre Cabo Verde e a União Europeia são excelentes, temos uma parceria especial, um acordo de facilitação de vistos, que é um pilar importante", referiu, salientando que o novo embaixador do país na Bélgica vai ter a responsabilidade de dinamizar essa parceria especial.

"As nossas relações com a União Europeia são tão boas que nós vamos aprofundá-las ainda mais agora com o novo embaixador que acaba de ser empossado no rei da Bélgica, que será também proximamente junto da União Europeia", terminou Luís Filipe Tavares.

Questionado pela agência Lusa, José Filomeno disse que tem acompanhado o caso "enquanto cidadão" e espera que os problemas temporários se resolvam, "para bem dos cabo-verdianos e da sua mobilidade".

O novo embaixador garantiu que vai fazer tudo para que a mobilidade das pessoas acontece "num quadro de normalidade e legalidade" para "o bom nome do país".

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