Ministro da Administração Interna, Luís Neves
Ministro da Administração Interna, Luís NevesFoto: Gerardo Santos

Governo admite prolongar estado de alerta na próxima semana devido ao calor extremo

Ministro da Administração Interna, Luís Neves, antecipa período “muito grave”, confirma ativação do mecanismo europeu e contactos de emergência com Marrocos.
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O Governo português admite manter o estado de alerta em todo o território nacional durante a próxima semana, caso se confirmem as previsões de calor intenso e o risco extremo de incêndio rural. O anúncio foi feito este sábado (4 de julho) pelo ministro da Administração Interna, Luís Neves, durante o balanço operacional realizado na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).

O atual estado de alerta, que entrou em vigor à meia-noite de sexta-feira, está inicialmente previsto terminar às 23h59 da próxima segunda-feira, 6 de julho. Contudo, face ao agravamento das condições meteorológicas, a extensão das medidas excecionais está já em avaliação pelo executivo.

De acordo com o governante, as projeções da Proteção Civil e do IPMA não deixam margem para facilitismos. Luís Neves sublinhou que o país continuará a enfrentar temperaturas invulgarmente elevadas, baixos índices de humidade e ventos fortes, o que motivou o aviso de que o território se encontra num autêntico "barril de pólvora".

"A próxima semana vai ser outra vez um período muito grave. Está em cima da mesa a manutenção do estado de alerta se as condições se mantiverem", afirmou o ministro da Administração Interna.

O ministro relembrou ainda os dados meteorológicos extremos registados nos últimos dias, com termómetros a aproximarem-se ou a atingirem os 47 °C em algumas regiões do interior do país, acompanhados por rajadas de vento na ordem dos 70 a 80 quilómetros por hora.

Reforço do ataque inicial e ajuda internacional

A estratégia das forças de socorro passa por concentrar o máximo de recursos na supressão imediata dos focos de incêndio. Luís Neves explicou que o reposicionamento de meios no terreno visa garantir a máxima eficácia na fase inicial do fogo, revelando que cerca de 94% a 95% dos incêndios têm sido extintos nos primeiros momentos.

Ainda assim, devido à violência das chamas e à simultaneidade de ocorrências — como o incêndio de grandes dimensões em Vouzela, onde as autoridades suspeitam de "mão criminosa" por ter deflagrado de madrugada —, Portugal avançou com o pedido de apoio externo, nomeadamente a ativação do Mecanismo Europeu de Proteção Civil e a cooperação com Marrocos. O ministro confirmou ter contactado diretamente o seu homólogo marroquino para articular o envio de meios aéreos adicionais: "Falei há uma hora com o meu homólogo de Marrocos e estou à espera de uma resposta em breve", detalhou.

Apelo do primeiro-ministro

Presente na mesma conferência de imprensa por videoconferência, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, reforçou os apelos à responsabilidade cívica da população.

O chefe do Governo reiterou que a prioridade absoluta passa por manter uma "vigilância máxima" e cumprir rigorosamente as proibições em vigor sob o estado de alerta, tais como o uso de maquinaria agrícola e florestal, e a total interdição de queimas e queimadas.

Ministro da Administração Interna, Luís Neves
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