Gisela João partilhou uma foto com o irmão, diagnosticado com leucemia no início de agosto.
Gisela João partilhou uma foto com o irmão, diagnosticado com leucemia no início de agosto.Reprodução Instagram @giselajoaoberdadeira

Gisela João doa medula óssea ao irmão e apela a registos voluntários para dádivas. "Podemos dar vida"

Fadista tinha anunciado pausa na carreira para cuidar do irmão, diagnosticado com leucemia no começo de agosto. Doação foi feita no IPO do Porto. "Quero usar a minha voz para partilhar este caminho".
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A fadista Gisela João partilhou nas suas redes sociais um testemunho emocionado após doar medula óssea ao irmão, diagnosticado com uma leucemia no começo do mês de agosto. "Há uma coisa que gostava muito que acontecesse a partir deste amor, que ele se transforme em movimento. Que vão dar sangue. Que se inscrevam como dadores de medula óssea", escreveu numa publicação em que agradece pelas manifestações de carinho e apoio à sua família.

Gisela esteve no IPO do Porto nesta terça-feira, 13 de outubro, para o procedimento. "Estava sol e o dia estava bonito. Entrar no IPO fez-me lembrar a entrada num shopping. Tanta gente, tantos corredores, tantos pisos, possibilidades, tantos sorrisos e tantos bons dias. Por momentos, quase me esquecia de onde estava: um lugar de onde todos queremos estar bem longe e onde, ainda assim, há tanta vida a acontecer".

No final do mês de setembro, a fadista tinha anunciado uma pausa na carreira para se dedicar aos cuidados ao irmão. No programa Fala com Ela, na Antena 1, Gisela revelou ser dadora compatível. Agora, quer incentivar mais pessoas a conhecerem as etapas que envolvem este processo.

"Quero começar a falar convosco sobre a dádiva de medula óssea. Sobre o que significa ser dador, como funciona o processo e a importância de nos inscrevermos como potenciais dadores. Porque podemos vir a ser compatíveis com alguém que precisa de nós para ter uma oportunidade de continuar a viver. Falar-vos da Liga, da Acreditar, que me emocionam. Ainda tenho muito para aprender, mas quero usar a minha voz para partilhar este caminho, esclarecer dúvidas e dar visibilidade a quem merece ser visto", escreveu.

As duas entidades citadas pela fadista na sua publicação são a Liga Portuguesa Contra o Cancro e a Associação Acreditar, que promovem a consciencialização sobre o tema, além de apoiar doentes oncológicos e as suas famílias.

Em Portugal, para ser um potencial dador de medula óssea é preciso:

  • Ter entre 18 e 35 anos.

  • Ser saudável.

  • Nunca ter recebido uma transfusão de sangue.

  • Ter residência no país.

Quem atende aos critérios iniciais pode preencher um questionário para inscrição no Registo Português de Dadores de Medula Óssea, gerido pelo Centro Nacional de Dadores de Células de Medula Óssea, Estaminais ou de Sangue do Cordão (CEDACE).

Criado em 1995, o CEDACE integra a chamada World Marrow Donor Association (WMDA) - Associação Mundial de Dadores de Medula Óssea. Quem faz a inscrição no CEDACE fica automaticamente inscrito na WMDA, "permitindo que pessoas doentes de outros países possam beneficiar da sua dádiva, do mesmo modo que doentes portugueses podem beneficiar da dádiva de pessoas dadoras estrangeiras", explica o Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST) no seu site.

Encontrar um dador compatível com um doente é "uma tarefa complexa", define o IPST. As maiores chances são entre irmãos, "o que acontece, apenas, em 25% a 30% dos casos".

O dador não passa por cirurgias para a dádiva de medula, mas sim a processos semelhantes a uma dádiva simples de sangue. Numa outra forma, a as células da medula óssea podem ser colhidas diretamente do osso da bacia, com o dador submetido a anestesia.

"Quem se vai inscrever hoje para dar sangue ou para ser dador de medula óssea? Quem vai investigar como pode ser voluntário? Do meu lado, estou a aprender, aos pouquinhos, a perceber tudo isto e a tentar partilhar informação correta. A transformar o que estou a viver em alguma coisa que possa ser útil. Para acalmar o tempo que nos transforma e para fazer o que posso, enquanto procuro uma maneira de me sentir menos impotente, vou continuar a cantar, a bordar, a ensinar, a observar, a gargalhar. Tentando. Tentando sempre", declarou Gisela João.

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