A Galp afasta razões para alarme no abastecimento de combustíveis em Portugal, incluindo no combustível para aviação, e defende que a fusão de ativos com a Moeve reforçará a capacidade de resposta em situações de crise.Em declarações à Lusa, no âmbito da apresentação dos resultados do primeiro trimestre, a co-presidente executiva da Galp, Maria João Carioca, disse que a empresa tem estado focada em “manter a segurança de abastecimento em Portugal”, num contexto marcado pela instabilidade geopolítica.“Estamos muito atentos e capazes de dar resposta”, referiu, acrescentando que continuará a ser “um dos focos” da atenção da empresa “durante os próximos tempos”, uma vez que os efeitos do conflito ainda não estão totalmente determinados.Por sua vez, o co-presidente executivo João Diogo Marques da Silva explicou que a situação varia consoante se trate de crude ou de produtos refinados, sublinhando que a Galp tem uma exposição “muitíssimo limitada” ao Médio Oriente no crude.No caso concreto do combustível para aviação (jet), indicou que a Galp produz a maior parte das necessidades do mercado que abastece (cerca de 80%), mas continua a depender parcialmente de importações.Segundo o gestor, a Galp tem antecipado compras no mercado, trabalhando alternativas para reforçar a flexibilidade de armazenagem e procurado maximizar a produção de 'jet' na sua estrutura, nomeadamente privilegiando a importação com origem nos EUA, África Ocidental e Europa.“Os sinais que nós temos transmitido são sinais de confiança, não temos nenhuma razão para alarme. Temos o mercado bem aprovisionado e abastecido no 'jet'”, afirmou João Diogo Marques da Silva.O co-CEO sublinhou também a importância de garantir o funcionamento da refinaria de Sines: “Temos que garantir que temos uma estrutura refinadora que funciona. E isso é fundamental, porque se a refinaria tivesse parado, aí é que teríamos que importar 100% 'jet'”, disse.Questionado sobre se a combinação de ativos com a Moeve (antiga Cepsa), já estivesse fechada, e incluísse Sines como está previsto, tornaria mais fácil a resposta à atual pressão, João Diogo Marques da Silva respondeu que qualquer plataforma com mais escala e flexibilidade traz benefícios em situações de maior oscilação.“Eu diria que a perspetiva de termos uma plataforma maior vai-nos trazer sempre um benefício de escala que nos garante, em situações de aperto, mais eficiência”, afirmou.João Diogo Marques da Silva rejeitou ainda que o contexto geopolítico leve a Galp a rever o investimento ou até a antecipar o calendário da produção de combustível sustentável para aviação (SAF, na sigla em inglês) em Sines.“Há um projeto com um calendário", com data de arranque prevista para o próximo ano, "e em nada é alterado pelo contexto internacional”, assegurou.Sobre a evolução da negociação para a fusão e ativos com a Moeve, o gestor disse que não há nenhum ponto particularmente “mais difícil”, embora admita que o calendário é apertado.“Não quero dizer que seja um calendário fácil, é um calendário apertado, mas nós em meados deste ano mantemos a intenção de ter o signing [assinatura] desta transação”, acrescentou.Questionados sobre as críticas de que a operação com a Moeve possa colocar em causa a soberania ou independência energética nacional caso a refinaria de Sines passe para mãos espanholas, Maria João Carioca disse que a Galp tem ouvido “os dois lados”.“A melhor maneira de assegurar soberania é garantir que a prazo os ativos estão bem mantidos, desenvolvidos, com a transição energética feita em boas condições”, defendeu.Segundo Maria João Carioca, a discussão deve ser vista como “uma conversa de futuro, de investimento”, num contexto em que a Europa reconhece cada vez mais a importância de escala, flexibilidade e investimento. .Galp prevê concluir fusão de ativos com Moeve em meados de 2026 .Governo diz que fornecimento de combustíveis para aviação está garantido até ao pico do verão