Funcionários de vários tribunais queixam-se de ser vítimas de assédio moral
Paulo Spranger

Funcionários de vários tribunais queixam-se de ser vítimas de assédio moral

Pressão para funcionários trabalharem além do horário estabelecido, com "atitudes de hostilização ou penalização informal dirigidas" a quem não o faz, é uma das principais fontes de conflito.
Publicado a
Atualizado a

Funcionários de diversos tribunais queixam-se de ser alvo de pressões e comportamentos que podem constituir assédio moral, denunciou hoje o Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), que criou um 'e-mail' para receber participações.

"O Sindicato dos Funcionários Judiciais tem recebido participações relativas a situações suscetíveis de configurar assédio moral em diversos tribunais", revelou esta sexta-feira, 27 de fevereiro, em comunicado, a organização, salientando que a prática pode configurar "ilícito disciplinar, responsabilidade civil e, em determinadas circunstâncias, responsabilidade criminal".

Na nota, o SFJ fala "em comportamentos reiterados de humilhação, desvalorização profissional, pressão psicológica, isolamento funcional, constrangimento hierárquico e criação de ambientes de trabalho intimidatórios".

A pressão para que os funcionários judiciais trabalhem para além das horas legalmente estabelecidas, com "atitudes de hostilização ou penalização informal dirigidas" a quem não o faz, é uma das principais fontes de conflito.

"A exigência de desempenho não legitima práticas intimidatórias. A hierarquia funcional não confere poder para humilhar. A insuficiência de recursos humanos não autoriza a imposição de disponibilidade ilimitada", frisa o SFJ.

Para denúncia destas e de outras situações, o sindicato criou o e-mail denuncias@sfj.pt, alertando que a "dificuldade na recolha de prova" em muitas situações "limita a capacidade de intervenção imediata" perante os relatos.

O "registo sistemático e cronológico dos factos", com "identificação de datas, horas, locais e circunstâncias", a "descrição objetiva" das palavras proferidas ou das ordens transmitidas, a "identificação de eventuais testemunhas", a "conservação de comunicações escritas relevantes" e a "comunicação atempada" da situação são as recomendações deixadas pelo SFJ para facilitar uma reação à denúncia.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt