A manutenção dos tanques da exposição ocorre todos os dias, das 06:00h da manhã até pouco antes das 09:00h, quando o Oceanário abre ao público.
A manutenção dos tanques da exposição ocorre todos os dias, das 06:00h da manhã até pouco antes das 09:00h, quando o Oceanário abre ao público.Reinaldo Rodrigues

Florestas Submersas. Ocenário de Lisboa adia encerramento de exposição icónica para final de setembro

Vista por mais de 10 milhões de pessoas, instalação, que forma maior 'nature aquarium do mundo', está patente há 11 anos e seria encerrada no final de junho. Agora, fica em cartaz até 30 de setembro.
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O Oceanário de Lisboa decidiu adiar o encerramento permanente da sua exposição mais antiga em cartaz para o final do mês de setembro. 'Florestas Submersas', concebida pelo fotógrafo e designer japonês Takashi Amano, já foi vista por mais de dez milhões de pessoas, está patente há onze anos e seria extinta no final de junho.

Roque Ferreira, CEO do Ocenário, afirma ao DN que a exposição "conquistou um lugar muito especial junto dos visitantes" ao longo da última década e que esta "continua a despertar um enorme interesse" no público.

"Ainda há muitas pessoas que desejam viver esta experiência pela primeira vez ou regressar a ela, mas que não o conseguiram fazer até final de junho. Assim, decidimos responder ao entusiasmo dos visitantes e oferecer mais uma oportunidade para viver uma das exposições mais emblemáticas da história do Oceanário de Lisboa", completa o CEO.

A exposição Florestas Submersas está contida num aquário que é considerado o maior nature aquarium do mundo, ou seja, um aquário que recria um ecossistema completo da natureza, com plantas, peixes e outros pequenos animais, além de microorganismos. A obra foi idealizada como uma réplica de um paraíso tropical debaixo d'água. Possui 40 metros de comprimento, comporta 160 mil litros de água doce, quatro toneladas de areia e 25 toneladas de rocha vulcânica dos Açores. Há cerca de 78 troncos de árvores, provenientes da Escócia e da Malásia, a compor esta paisagem de floresta, que tem mais de 10 mil organismos vivos no seu ecossistema, entre eles cerca de 40 espécies de peixes tropicais e 46 espécies de plantas aquáticas.

Exposição Florestas Submersas tem equipa de mergulhadores a tratar da sua manutenção.
Exposição Florestas Submersas tem equipa de mergulhadores a tratar da sua manutenção.Reinaldo Rodrigues

Na altura do anúncio do seu encerramento, quatro meses atrás, o DN visitou os bastidores da exposição, acompanhando o trabalho da equipa de mergulhadores que trata dos aquários, atividade que envolve, todos os dias, pelo menos dois profissionais em simultáneo. Desde a abertura até hoje, a manutenção deste ecossistema vivo já exigiu mais de 11 mil horas de mergulho e trabalho especializado.

Takashi Amano, como fotógrafo, visitou três das principais florestas tropicais do mundo, a Amazónia, a da Ilha Bornéu (sudeste asiático) e a da zona ocidental da África. Além de fotógrafo, também era designer e desenvolveu um gosto pessoal pelo aquarismo, levando-o a fundar uma empresa própria para atuar na combinação destas duas paixões. Foi assim que começou os projetos de nature aquarium e que ganhou notoriedade pelas suas criações.

Florestas Submersas foi a última obra de Takashi Amano, que morreu apenas três meses depois da sua inauguração. A decisão de encerrar esta instalação passa por preservar o legado do seu criador.

“Isto é uma obra de arte viva e, portanto, segue o seu ciclo. Ela foi projetada para três ou quatro anos, porque é o tempo também que prevíamos a duração de algumas características, por exemplo, os troncos que temos nesta exposição, a própria qualidade expositiva. Aliás, este não é só o maior nature aquarium que existe, como é talvez o mais antigo que existe sem ter sofrido grandes remodelações”, destacou Hugo Batista, Diretor de Biologia do Oceanário, na ocasião da reportagem anterior. “Para mantermos a qualidade deste aquário, para o futuro teríamos de o renovar. Ao fazermos isso, é como pegar numa tela, numa obra de arte, remover a tela e colocar na mesma moldura - já não tem a assinatura do seu criador - e iria acontecer isso. Portanto, não nos é correto fazê-lo”, completou o biólogo.

Agora, com o prolongamento por mais três meses, o Oceanário pretende dar aos visitantes a oportunidade participar em iniciativas especiais, incluindo visitas guiadas aos bastidores da exposição, para que acompanhem os trabalhos de manutenção ao vivo.

Recorde a reportagem DN

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