O Oceanário de Lisboa decidiu adiar o encerramento permanente da sua exposição mais antiga em cartaz para o final do mês de setembro. 'Florestas Submersas', concebida pelo fotógrafo e designer japonês Takashi Amano, já foi vista por mais de dez milhões de pessoas, está patente há onze anos e seria extinta no final de junho.Roque Ferreira, CEO do Ocenário, afirma ao DN que a exposição "conquistou um lugar muito especial junto dos visitantes" ao longo da última década e que esta "continua a despertar um enorme interesse" no público."Ainda há muitas pessoas que desejam viver esta experiência pela primeira vez ou regressar a ela, mas que não o conseguiram fazer até final de junho. Assim, decidimos responder ao entusiasmo dos visitantes e oferecer mais uma oportunidade para viver uma das exposições mais emblemáticas da história do Oceanário de Lisboa", completa o CEO.A exposição Florestas Submersas está contida num aquário que é considerado o maior nature aquarium do mundo, ou seja, um aquário que recria um ecossistema completo da natureza, com plantas, peixes e outros pequenos animais, além de microorganismos. A obra foi idealizada como uma réplica de um paraíso tropical debaixo d'água. Possui 40 metros de comprimento, comporta 160 mil litros de água doce, quatro toneladas de areia e 25 toneladas de rocha vulcânica dos Açores. Há cerca de 78 troncos de árvores, provenientes da Escócia e da Malásia, a compor esta paisagem de floresta, que tem mais de 10 mil organismos vivos no seu ecossistema, entre eles cerca de 40 espécies de peixes tropicais e 46 espécies de plantas aquáticas..Na altura do anúncio do seu encerramento, quatro meses atrás, o DN visitou os bastidores da exposição, acompanhando o trabalho da equipa de mergulhadores que trata dos aquários, atividade que envolve, todos os dias, pelo menos dois profissionais em simultáneo. Desde a abertura até hoje, a manutenção deste ecossistema vivo já exigiu mais de 11 mil horas de mergulho e trabalho especializado.Takashi Amano, como fotógrafo, visitou três das principais florestas tropicais do mundo, a Amazónia, a da Ilha Bornéu (sudeste asiático) e a da zona ocidental da África. Além de fotógrafo, também era designer e desenvolveu um gosto pessoal pelo aquarismo, levando-o a fundar uma empresa própria para atuar na combinação destas duas paixões. Foi assim que começou os projetos de nature aquarium e que ganhou notoriedade pelas suas criações.Florestas Submersas foi a última obra de Takashi Amano, que morreu apenas três meses depois da sua inauguração. A decisão de encerrar esta instalação passa por preservar o legado do seu criador.“Isto é uma obra de arte viva e, portanto, segue o seu ciclo. Ela foi projetada para três ou quatro anos, porque é o tempo também que prevíamos a duração de algumas características, por exemplo, os troncos que temos nesta exposição, a própria qualidade expositiva. Aliás, este não é só o maior nature aquarium que existe, como é talvez o mais antigo que existe sem ter sofrido grandes remodelações”, destacou Hugo Batista, Diretor de Biologia do Oceanário, na ocasião da reportagem anterior. “Para mantermos a qualidade deste aquário, para o futuro teríamos de o renovar. Ao fazermos isso, é como pegar numa tela, numa obra de arte, remover a tela e colocar na mesma moldura - já não tem a assinatura do seu criador - e iria acontecer isso. Portanto, não nos é correto fazê-lo”, completou o biólogo.Agora, com o prolongamento por mais três meses, o Oceanário pretende dar aos visitantes a oportunidade participar em iniciativas especiais, incluindo visitas guiadas aos bastidores da exposição, para que acompanhem os trabalhos de manutenção ao vivo.Recorde a reportagem DN.Voz de Gene Wilder vai ser recriada com IA para reality show na Fábrica de Chocolate de Willy Wonka.Os melhores jardins de Lisboa para aproveitar as tardes de verão