Faculdade de Motricidade Humana suspende exames devido a risco de contágio

Alunos queixam-se da confusão nos exames e de não serem cumpridas as regras sanitárias de combate à covid-19. Faculdade não assume problemas mas acaba por suspender os exames ao segundo dia.

A Faculdade de Motricidade Humana (FMH) começou a época de exames esta segunda-feira, mas acabou por os suspender ao segundo dia de avaliações. Justifica que, "face à recente evolução da situação epidemiológica, considera-se que continua a existir um risco dificilmente controlável de contágio de alunos e docentes, no âmbito da concretização das atividades de avaliação, na atual fase de exames".

A decisão chega após críticas dos alunos, que dizem ter alertado os responsáveis da faculdade em devido tempo. Isto porque a faculdade "funciona em instalações velhas, em pavilhões que são provisórios há 30 anos e não houve um plano B para a realização dos exames se os números da epidemia evoluíssem desfavoravelmente, como acabou por acontecer", protesta um pai.

A licenciatura em Ciências do Desporto também tem aulas no ISEG (Instituto Superior de Economia e Gestão) e, numa dessas disciplinas, os alunos realizaram o exame online. Os estudantes deram esse exemplo para que avaliassem a hipótese de provas não presenciais dado o aumento exponencial do número de infetados em Portugal.

A resposta foi negativa, baseando-se no despacho da reitoria da Universidade de Lisboa, onde está inserida a FMH, de finais de setembro. "Salvo se forem decretadas pelo Governo medidas agravadas de confinamento ou outras que o impeçam, sempre que a avaliação de conhecimentos e competências de uma unidade curricular, independentemente do ciclo de estudos em que esteja integrada, inclua a realização de exame escrito, prova de frequência ou teste escrito, estas avaliações devem ser realizadas presencialmente".

Segunda-feira, primeiro dia de exames do 1.º semestre, parecia uma época de avaliações normal, com toda a confusão do primeiro dia de avaliações. Realizaram-se provas teóricas em dez salas e que estavam lotadas.

Ajuntamentos nas imediações, também para entrar, as carteiras ocupadas e sem o exigido para se cumprir o distanciamento social. Também muitos dispensadores de desinfetante estavam vazios. A situação foi denunciada por vídeos nas redes sociais.

Ao fim do dia desta terça-feira, o Conselho Pedagógica da FMH acabou por emitir um despacho a suspender os exames, sem indicar outras datas ou em que moldes serão realizados.

"O risco acrescido que presentemente se observa, deve ser combatido preferencialmente com medidas de natureza preventiva para se preservar a saúde da comunidade escolar da FMH, das suas famílias e da sociedade portuguesa em geral", diz o despacho. Determina que "a época de exames presenciais do 1º período do ano letivo 2020-2021" fosse suspensa a partir desta quarta-feira, "até uma data a anunciar com um novo calendário"

Testes rápidos para poucos

Entende o presidente da FMH, Luís Bettencourt Sardinha que "o Conselho Pedagógico da FMH organizou de forma detalhada os exames presenciais" e que uma das medidas foi a disponibilização de testes rápidos", reconhecendo que não foi suficiente para a realização dos exames em segurança sanitária.

Os testes rápidos, tanto quanto o DN apurou, foram anunciados no início deste ano letivo e seriam realizados uma vez por semana mediante convocatória. "Todos os membros da comunidade académica serão convocados por e-mail para a realização do teste".

Mas, muitos alunos que iriam ter exames não receberam qualquer indicação, talvez porque não fossem considerados prioritários. Foram os estudantes que "se encontram a realizar estágios ou outros trabalhos em entidades externas de acolhimento, bem como aos contactos de alto risco que se venham a identificar em casos confirmados de covid-19 na FMH".

Curiosamente, alunos da Faculdade de Ciências, que pertence à mesma universidade, receberam ao fim do dia desta terça-feira uma convocatória para realizarem testes rápidos amanhã de manhã.

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