Cristina Ferreira quebrou o silêncio e reagiu esta quinta-feira, 16 de abril, à polémica que se gerou após as declarações que fez no programa Dois às 10, da TVI, sobre um caso em que quatro influencers são acusados de terem violado uma menor de 16 anos e filmado os atos sexuais, em Loures, no ano passado. As palavras da apresentadora geraram indignação e motivaram, "até ao momento", 3300 queixas na Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC). O caso começou a ser julgado na segunda-feira (13) à porta fechada e, no dia seguinte, foi tema no segmento Crónica Criminal do programa da TVI, durante o qual a apresentadora fez uma pergunta que gerou uma onda de críticas e acusações. "Porque nós temos de falar disto. Porque é assim: mesmo que ela tenha dito para parar, quando são quatro que estão naquela adrenalina de estar a fazer sexo com uma rapariga, alguém ouve? Claro que têm de ouvir, mas alguém entende aquele 'Não quero mais?'", questionou a apresentadora no programa das manhãs da TVI.As palavras de Cristina Ferreira levou a que muitos, entre anónimos, ativistas e figuras públicas, considerassem que estaria a desculpabilizar o comportamento dos jovens acusados, o que a apresentadora nega no comunicado, entretanto, divulgado no Instagram. "Rejeito e considero injustificável qualquer forma de crime ou de abuso", começou por escrever, referindo que as suas palavras poderão ter sido retiradas do contexto. Argumentou que "a visualização completa e objetiva da discussão sobre o tema" permite entender "que nunca houve qualquer tentativa de justificação para o alegado crime em causa, que será objeto de julgamento criminal" e que as suas palavras no referido programa "foram proferidas no âmbito de uma pergunta aos comentadores da Crónica Criminal". "Não como uma opinião pessoal minha sobre o tema", afirmou.Salienta que, em qualquer caso, ninguém queria "justificar qualquer ação criminosa sobre a vítima". "Não quisemos e não justificámos", assegurou."Independentemente da interpretação que cada pessoa possa ter retirado das minhas palavras, nunca tive qualquer intenção de justificar o alegado comportamento em causa. Muito menos, tive intenção de diminuir o sofrimento da alegada vítima", reforçou Cristina Ferreira.Na nota divulgada na rede social lamentou, porém, "o nível de ataques" que lhe têm sido dirigidos e que têm também como alvo a TVI após a emissão do programa. "Uma coisa é a liberdade de opinião, que pratico na minha vida e que incentivo no espaço público. Outra coisa, são exercícios de puro ódio pessoal", considerou Cristina Ferreira que não tenciona fazer mais comentários sobre este tema.A TVI já tinha emitido um comunicado a colocar-se ao lado de Cristina Ferreira, no qual lamentou "a forma, o tom, a descontextualização e a manipulação grosseira com que as palavras da apresentadora" estavam "a ser interpretadas e disseminadas". "Em nenhuma circunstância, a TVI, e naturalmente Cristina Ferreira, concordaria com a banalização de um qualquer crime e muito menos, o incentivaria ou desvalorizaria. Violações ou sexo sem consentimento só podem ser objeto de repulsa e de condenação. Uma coisa é uma pergunta formulada no exercício das suas funções de apresentadora, com o intuito de proporcionar oportunidade para a expressão do repúdio que atos perpetrados por violadores, outra é manifestar uma opinião crítica. A pergunta aconteceu, o comentário não e muito menos a expressão de banalização do crime. Outra coisa também é a impunidade com que a ofensa gratuita e leviana se espalha , sem controlo, sobretudo nas redes sociais. Os tribunais a quem se recorrerá tratarão de repor a justiça", lê-se na nota da estação de televisão.Contactada pela Lusa, a ERC "informa que recebeu, até ao momento, 3300 participações relativas às declarações de Cristina Ferreira no programa 'Dois às 10', da TVI". Participações que se encontram "em apreciação pelos serviços da ERC, no seguimento do procedimento de averiguações determinado pelo Conselho Regulador", adiantou fonte oficial da ERC à agência de notícias.De acordo com a acusação do Ministério Público, os arguidos no caso referido têm atualmente entre 18 e 21 anos e respondem por um crime de violação agravado e 27 crimes de pornografia de menores agravados.Um dos 'influencers' está ainda acusado de três crimes de ofensa à integridade física e outro de um da mesma natureza.O caso remonta a 12 de fevereiro de 2025, quando a vítima se encontrou com os quatro arguidos, então com canais nas redes sociais e públicos significativos, num jardim público em Santo António dos Cavaleiros, concelho de Loures, na área metropolitana de Lisboa.Segundo a acusação, os atos sexuais, gravados com o telemóvel, terão começado de forma consensual no jardim público e continuado, contra a vontade da vítima, numa garagem próxima..Palavras de Cristina Ferreira sobre violação causam indignação e levam a queixas na ERC. TVI defende apresentadora