Estreia do documentário "Hope” abre a porta para o debate de novas soluções climáticas
A compostagem, o melhoramento do sistema VOLTA e a igualdade de género são alguns dos temas em discussão e debate nas sessões de estreia da série documental “Hope - Estamos a Tempo”, criada pelo divulgador espanhol Javier Peña e dedicada à apresentação de soluções de problemas ambientais. Os seis episódios serão exibidos uma vez por semana entre 8 de outubro (quinta-feira) e 10 de novembro, no jardim do Instituto Goethe, na zona lisboeta do Campo dos Mártires da Pátria.
O programa, organizado pelo Pacto Climático Europeu em Portugal e coordenado pela Associação ZERO, começa com a exibição de “A Grande Oportunidade”, um episódio que pretende virar a perspetiva da transição ambiental de algo catastrófico para algo que é “uma oportunidade única para construir um mundo mais justo, saudável e resiliente”. Na sessão que vai acompanhar a exibição, os convidados incluem Bárbara Costa e Henrique Folhas, das ONGs Youth Climate Leaders Portugal e Sciaena, respetivamente.
Pedro Lucas, membro da Direção da Zero, aponta “a aposta na compostagem” como uma destas soluções que estão ao alcance das câmaras e das entidades municipais. Esta compostagem pode ser comunitária e doméstica, continuou, sublinhando que pode resolver “dois problemas” em simultâneo.
Ao mesmo tempo que cumpre os Planos Municipais de Ação Climática e as metas a que Portugal se comprometeu”, também reduz “a fatura nacional de fertilizantes importados num período de escassez internacional”, explicou.
O número de resíduos urbanos que acabam por ser enviados para aterros sanitários é “muito significativo”, sendo de três milhões de toneladas, algo que corresponde a mais de metade de todos os resíduos urbanos produzidos em Portugal.
Com a aposta na compostagem, diz Paulo Lucas, os custos que Portugal gasta em adubos pode também ser reduzido, algo que contabiliza 335 milhões de euros a preços correntes e corresponde a 700 mil toneladas.
“Esta proposta corresponde ao espírito do documentário ‘Hope – Estamos a Tempo’: a solução proposta é local e acionável, focada no que cada câmara municipal pode fazer já... e ainda não faz”, afirma Paulo Lucas.
VOLTA, um exemplo de economia circular que pode ainda melhorar
No terceiro episódio, intitulado Metamorfose, o principal tópico em discussão será o sistema VOLTA, implementado este ano em Portugal e no centro de várias críticas por parte de políticos e autarcas, como é o caso do presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas.
Marta Brazão, presidente da ONG Circular Economy Portugal, defendeu o sistema como uma solução e frisou ser “essencial não desencorajar com as primeiras dificuldades”. “Num país onde este sistema existe há vinte anos, a Alemanha, a taxa de retorno é hoje de 98%”, acrescentou.
Ainda assim, o programa tem espaço para melhorias, considerou a responsável, propondo a distribuição de “caixas de doação” para não espalhar o lixo, algo que, disse, já teve sucesso em países como a Suécia e os Países Baixos.
Programas semelhantes como o CopoMais, um sistema de recolha de copos reutilizáveis lançado na forma de projeto-piloto em junho do ano passado pela Câmara de Lisboa e a associação de hotelaria e restauração AHRESP, também ainda não dá a resposta necessária ao problema, disse a responsável, falando em falta de máquinas para a recolha,
“No entanto, é um grande passo para uma capital europeia implementar um sistema como este, poupando recursos na limpeza do espaço urbano e na quantidade de copos desperdiçados todas as noites”, afirmou Marta Brazão.
Igualdade de género, “uma condição indispensável” para a transição ambiental
Por fim, o último episódio, com o título “Ingrediente Secreto”, foca-se no “papel insubstituível” das pessoas para que a ação climática "tenha sucesso", incluindo toda a gente no processo de transformação da sociedade.
E, nessa inclusão, a igualdade de género tem de ser “reconhecida como uma condição indispensável para o sucesso da ação climática global”, afirmou a presidente da ONG Business as Nature, Susana Viseu.
A ONG criou uma plataforma internacional para reforçar o papel das mulheres na ação climática e nas políticas ambientais, a Women & Climate Global Coalition. Esta plataforma pretende “reunir membros signatários de todas as regiões do mundo” para “lançar programas de capacitação e fundos de impacto local”.
“A promoção das mulheres e a sua capacitação para a liderança nas comunidades e no tecido empresarial é defendida como determinante para a sustentabilidade dos territórios”, lê-se ainda no comunicado.

