O índice manteve-se alto em 2023 e em 2024, a desaceleração ficou a dever-se a uma alteração anunciada pelo Governo em 3 de junho.
O índice manteve-se alto em 2023 e em 2024, a desaceleração ficou a dever-se a uma alteração anunciada pelo Governo em 3 de junho.Foto: Leonardo Negrão

Entraram por dia em Portugal 581 novos imigrantes entre 2021 e 2025

O ano de 2022, logo após a pandemia, foi aquele em que se registou a maior entrada de imigrantes: 326.090. O travão começou em 2024, com o fim das manifestações de interesse e alterações à lei.
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A população estrangeira residente em Portugal passou de 748.155 pessoas no final de 2021 para 1.597.530 pessoas em 31 de dezembro de 2025. Este número representa, em média, a entrada de 581 novos imigrantes por dia durante este período. É o que revelam os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), apresentados ontem após revisão.

Das 11,4 milhões de pessoas que vivem em Portugal, 14% são estrangeiras. Para chegar a estes números, o INE utilizou dados da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), mas não só. Foram também cruzados dados administrativos de outras entidades, como a Segurança Social, a Autoridade Tributária e Aduaneira e o Ministério da Educação.

De acordo com o INE, os aumentos mais expressivos ocorreram em 2022, com mais 326.090 imigrantes, em 2023, com mais 275.929, e em 2024, quando se registou um acréscimo de 188.252 cidadãos estrangeiros.

O ano de 2022 surgiu imediatamente após a pandemia, durante a qual vigorou um longo período de restrições às viagens internacionais, incluindo de turismo, utilizada em Portugal como uma forma de entrar no país. O índice manteve-se alto em 2023 e em 2024, a desaceleração ficou a dever-se a uma alteração anunciada pelo Governo em 3 de junho.

Foi o fim das manifestações de interesse. Deixou de ser possível entrar em Portugal como turista e pedir posteriormente a regularização no território, embora continuassem a existir algumas vias alternativas.

O executivo de Luís Montenegro prosseguiu com reformas destinadas a impedir formas de imigração sem visto prévio, apresentando-as como uma forma de “controlar a imigração” e “diminuir a pressão nos serviços”, como na habitação e saúde.

Mas nem tudo é tão linear, alertou à Lusa o presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), Xavier Barreto. “Se a população aumenta e se essa população tem necessidade de ter acesso ao SNS, o que nós temos que fazer - partindo do pressuposto de que essa população faz falta e que está cá a trabalhar - é capacitar o SNS”, defendeu.

Ao DN, a investigadora e socióloga Catarina Reis, especialista no tema, vê os números numa lógica inversa. “Tínhamos escolas a fechar e agora já não estão. O mesmo relatório mostra o envelhecimento da população. Se olharmos para os números da Segurança Social, a mão de obra estrangeira já representa mais de 14% do total, então é essa necessidade para o mercado de trabalho, para manter a economia a funcionar”, refere.

Na visão da especialista, há “uma discussão que ninguém quer fazer”, nomeadamente a da integração. “É achar que só querem mão de obra. Não pensam que os imigrantes chegam e têm que estabelecer um contrato social, estar com a sua família e não ter só obrigações”, explica. O DN sabe que está prevista a apresentação pelo Governo de um plano nacional de integração até ao verão.

amanda.lima@dn.pt

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