Entidade Reguladora da Saúde averigua constrangimentos de acesso a cirurgia cardíaca
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Entidade Reguladora da Saúde averigua constrangimentos de acesso a cirurgia cardíaca

Processo teve origem numa denúncia do diretor de Cardiologia da ULS Santo António, que referiu que “mais de 10 doentes faleceram em virtude de uma lista de espera demasiado elevada só nessa ULS".
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A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) abriu um processo de avaliação aos alegados constrangimentos de acesso a cirurgia cardíaca por utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS), confirmou esta quarta-feira, 25 de fevereiro, à Lusa esta entidade.

Em resposta escrita, fonte da ERS informou que este processo de avaliação tem em vista “averiguar com mais detalhe a situação”.

Na sexta-feira, a Ordem dos Médicos (OM) exigiu que a tutela apure se é verdade que morreram pessoas à espera de cirurgias cardíacas e tome medidas imediatas.

“Era do desconhecimento público, pelo menos da OM, a situação que o [hospital de] Santo António referiu de que há dificuldades e que estão a morrer pessoas. Portanto, a primeira coisa que se tem que fazer, e eu apelo à Direção-Executiva [do Serviço Nacional de Saúde], é que avalie esta situação porque não podem estar pessoas em lista de espera a morrer sem ter resposta”, disse à agência Lusa o bastonário Carlos Cortes.

Em entrevista à RTP, o diretor de serviço de Cardiologia da ULS Santo António, André Luz, referiu na quinta-feira que “mais de 10 doentes faleceram em virtude de uma lista de espera demasiado elevada só nesta ULS [Unidade Local de Saúde]”.

Estas declarações surgiram no mesmo dia em que o Diário de Notícias (DN) noticiou que quatro hospitais do Norte (Santo António, no Porto, bem como Vila Real, Tâmega e Sousa e Matosinhos) com serviços de cardiologia subscreveram uma carta sobre o panorama na cirurgia cardíaca na região, missiva que será dirigida à ministra da Saúde, na qual alertam para a lista de espera de doentes com problemas cardíacos a necessitar de cirurgia ou de implantação da válvula da aórtica.

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Hospitais do Norte alertam ministra para listas de espera em cirurgia cardíaca: “Há doentes em risco”

Na sexta-feira, em resposta à Lusa, o Ministério da Saúde confirmou a receção de um ‘email’ subscrito por quatro médicos de quatro ULS, referindo que “é reportada a existência de listas de espera na área da cirurgia cardíaca, bem como a ocorrência de alguns casos fatais, alegadamente associados a essa situação”.

O gabinete de Ana Paula Martins refere que ordenou uma “avaliação urgente” da situação de doentes em lista de espera para cirurgia cardíaca, acrescentando que a denúncia sobre mortes associadas a eventual ausência de resposta está a ser “analisada com prioridade”.

“Foi já solicitada à Direção-Executiva do SNS [DE-SNS] uma avaliação urgente da situação destes doentes em lista de espera e a apresentação de soluções efetivas em articulação com as unidades de saúde do SNS”, referiu o Ministério.

Esta polémica suscitou já reações por parte de outras ULS do Norte, nomeadamente São João e Gaia/Espinho.

O diretor do serviço de cirurgia cardiotorácica da ULS Gaia/Espinho, Paulo Neves, alertou na quinta-feira que a abertura de um novo centro de cirurgia cardíaca na região Norte, nomeadamente na ULS Santo António, no Porto, “amputaria capacidade aos centros existentes”.

No mesmo dia, o diretor do serviço de Cirurgia Cardiotorácica da ULS São João, no Porto, Adelino Leite Moreira, alertou para a “dispersão comprometedora de recursos humanos” que a criação de um novo centro de referência em cirurgia cardíaca na região Norte pode acarretar.

Também à Lusa, o bastonário da OM, Carlos Cortes, falou de uma “equação impossível” quando questionado sobre se concorda com a abertura de mais centros.

“Temos aqui uma equação impossível que a Ordem dos Médicos já teve a oportunidade até de chamar a atenção (…). Isto é mesmo muito sensível, porque os médicos que existem neste momento são aqueles que estão nos centros de referência. Portanto, a haver mais centros de referência, teriam de transitar os mesmos médicos de um lado para o outro. É aquilo que já está a acontecer neste momento”, disse o bastonário.

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