Empreiteiro da Construbarcelos: "Uma autoridade, escusa-se de escrever. Basta respeitar. Não tenho papéis"
O empreiteiro da Construbarcelos que fez obras para a PJ e no monte de Luís Neves em Odemira revelou que a deslocação do atrelado apreendido para o seu armazém fez-se sem documentos.
"Ajudei a PJ a resolver um problema que tinha para resolver. Fui eu que me ofereci. Foi em Évora, na obra que estava a fazer para a PJ, lá com o diretor-tesoureiro. Vi-o um bocado preocupado e disse: ‘Tenho lá um espaço grande, posso guardar lá isso até vocês resolverem a situação'", começou por contar à TVI/CNN Portugal.
Documentos? "Nada, nada". "Que me lembre, não", acrescentou. "Se veio uma autoridade à frente, é um documento. Uma autoridade, escusa-se de escrever. Basta respeitar. Não tenho papéis nenhuns", explicou João Santos Carvalho, que corroborou a versão narrada esta quarta-feira ao país por Luís Neves: "O diretor financeiro propôs a transferência do material para um armazém do senhor João Carvalho, onde os contentores com os produtos químicos podiam permanecer em segurança pelo período até ser encontrada uma solução."
O empreiteiro diz que foi o próprio que decidiu fazer a piscina na propriedade do atual ministro da Administração Interna em Odemira, frisando que "aquilo é um tanque aterrado", e confirmou que foi sempre a mulher de Luís Neves a pagar-lhe: "Quem pagou foi sempre a doutora."
O empreiteiro mostrou ainda o armazém onde guardou os bidões, garantindo que não estavam num "camião no meio do campo".
O jornal Nascer do Sol noticiou, ao longo das últimas três semanas, que o antigo diretor da Polícia Judiciária (PJ) construiu num monte (quinta) no concelho de Odemira, integrado em área de Reserva Agrícola Nacional e Reserva Ecológica Nacional, uma piscina, inicialmente classificada por Luís Neves como um tanque, sem licenciamento.
A obra foi feita pela Construbarcelos, uma empresa que realizou várias empreitadas em edifícios da PJ enquanto o ministro foi diretor nacional desta instituição, entre junho de 2018 e fevereiro de 2026.
Insistindo que só conheceu o dono da empresa sediada em Barcelos em 2023, já depois de este ter realizado várias obras para a PJ, Luís Neves sustentou que, embora a relação contratual possa suscitar dúvidas, nunca existiu qualquer favorecimento.
"A Construbarcelos nunca teve peso determinante ou sequer relevante na contratação da Polícia Judiciária", alegou o ministro, precisando que o valor dos contratos celebrados entre 2019 e 2025 entre a força policial e a construtora "representaram apenas 8%" do valor global de 27 milhões de euros adjudicados por aquela instituição no mesmo período.
"Depois de conhecer o senhor João Carvalho, esta empresa representou apenas cerca de 4% do valor das empreitadas contratadas pela instituição, obras complementares a contratos que já se encontravam em execução", frisou.
No total, Luís Neves terá pago em numerário pelas obras no monte, em "10 a 12 fins de semana, cinco mil euros de forma faseada", dos quais, reiterou, foram passadas faturas no Portal das Finanças.
Atualmente, a empresa deixou de fazer obras em sua casa, porque, "se fosse hoje, teria feito de forma diferente".

