Os influencers estão a levar os consumidores para o mercado ilegal. O jogo online regulado está a subir uns 9% ao ano, estabilizou nesse patamar, mas há cerca de 40% de apostadores que estão no jogo ilegal promovido por essas pessoas.” A denúncia é de Ricardo Domingues, presidente do conselho diretivo da Associação Portuguesa de Apostas e Jogos Online (APAJO), em declarações ao DN, alertando também para o facto de o Estado estar a “perder centenas de milhões” em receita fiscal com o facto de muitos apostadores optarem por jogar em plataformas não-reguladas.Uma situação já denunciada às autoridades, mas sem que as investigações resultem em penalizações. “Nós fazemos queixa, já fizemos contra mais de 30 influencers , sabemos que existiram algumas investigações, mas nunca foi deduzida nenhuma acusação. É caso para dizer que o crime compensa”, frisa o responsável da APAJO.Ricardo Domingues reconhece não ser fácil levar por diante as averiguações, pois muitas dessas figuras, que são seguidas nas redes sociais, não vivem em Portugal. “Alguns deles estão fora do país e é difícil chegar até eles. Vários até têm sido notícia por estarem associados a outro tipo de atividades duvidosas envolvendo, por exemplo, criptomoedas”, diz.Recorde-se que no mais recente relatório do Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ) é noticiado que, desde 2015 - ano em que entrou em vigor o Regime Jurídico dos Jogos e Apostas Online -, foram notificados para encerramento 1633 operadores de jogo online ilegais (58 no último trimestre de 2025) e feitas 57 participações ao Ministério Público (duas entre outubro e dezembro do ano passado).“Ganhar o mais possível” Num setor que na vertente regulada registou no ano passado um volume de apostas de 23 mil milhões de euros, o mercado de plataformas ilegais é “apelativo”, pois estas são “dinâmicas e usam tecnologia de ponta. E nós não podemos combater isso com requerimentos, ferramentas arcaicas e e-mails”, sublinha Ricardo Domingues.Como demonstração dessa dinâmica dá o facto de nesses operadores ser possível “apostar em lutas de anões”. “O que não queremos”, acrescenta, “mas defendemos por exemplo o Live Casino, que é uma modalidade em que do outro lado está um dealer ao vivo e que colhe muito interesse por parte dos apostadores”.“Os sites ilegais não têm qualquer intenção de defender os grupos vulneráveis, ao contrário dos regulados que têm a hipótese de auto-exclusão. O objetivo deles é gerar o maior número de receita possível no prazo mais breve possível, pois não sabem se amanhã vão existir. Esses grupos não se preocupam com as pessoas que não conseguem jogar no mercado regulado, como os menores”, lembra, explicando ser essa uma faixa onde o impacto dos influencers é bastante grande: “Promovem os sites ilegais onde esses menores podem abrir uma conta, mostrámos isso recentemente na Comissão de Economia e Coesão Territorial, da Assembleia da República. Mostrámos que não são precisos dados pessoais para abrir conta e que até criam automaticamente uma com número de utilizador e password. Essas figuras públicas promovem os sites, colocando os links nas suas redes e com mensagens ‘Joga aqui para fazeres um dinheiro extra, este site é licenciado no mundo todo’. Ao incentivar este tipo de comportamento recebem comissões.”Num estudo de opinião efetuado a pedido da APAJO os resultados mostram que 40% dos portugueses continuam a apostar em plataformas ilegais. Entre os mais jovens, este indicador ainda é superior (43% entre os 18 e os 34 anos). São dados do estudo “Hábitos de Jogo Online dos Portugueses”, efetuado pela Aximage e que contou com 1008 entrevistas efetivas: 829 homens e 179 mulheres, 204 entre os 18 e os 24 anos, 364 entre os 25 e os 34 anos, 243 entre os 35 e os 44 anos e 197 entre os 45 e os 65 anos; num trabalho de campo que decorreu entre 11 e 16 de junho de 2025. As conclusões dados levam a associação a defender que seja, a título de exemplo, proibido a disponibilização de pagamento associados a bancos portugueses, como o Multibanco, o MBWay e o Pay by Bank, pelos sites ilegais; o uso de cartão de crédito; e ainda que seja impedida a promoção destes sites por influencers.Quanto aos valores gerados pelo jogo ilegal, a associação reconhece não existirem dados fiáveis, mas considera que o Estado estará a perder anualmente “centenas de milhões” de euros em receita, contrapondo que os operadores legalizados pagaram no ano passado, de Imposto Especial de Jogo Online, 353 milhões de euros, mais 5,47% face a 2024. .Jogo online. Portugueses apostam 63 milhões de euros por dia .ICAD alerta para aumento dos comportamentos de jogo problemático. 1,3% da população com sinais de risco