O ano letivo encerra com foco na atuação do Governo na correção dos Exames Nacionais, amplamente divulgada. Mas, há mais problemas sentidos no terreno, apurou o DN. É o caso, por exemplo, da ausência de dados oficiais sobre a falta de professores. Em janeiro, o ministério implementou a obrigatoriedade de registar sumários de todas as aulas para monitorizar, em tempo real, o número de alunos sem professor, isto depois de afirmar não ser possível obter esses dados de outra forma.A promessa da divulgação do número de alunos afetados com a falta de docentes já data do ano letivo passado e vem sendo adiada desde então. “O ministro manteve a afirmação de que o cálculo do défice de professores não é possível com o atual sistema de recolha de informações, mas quem conhece os dados que todos dias, semanas e meses, as escolas carregam em diversas plataformas sabe que isso não é verdade”, garante ao DN, Paulo Guinote, professor de 2.º ciclo e doutorado em ‘História da Educação’.Os números têm sido divulgados por sindicatos e por movimentos de professores. Em janeiro, a Fenprof garantia que os alunos sem docentes eram cerca de 158 mil, mais 28,4% do que em igual mês do ano passado, quando afetava cerca de 123 mil alunos. A comunidade educativa é unânime: a falta de professores é o maior problema da Educação, mesmo sem dados oficiais por parte do Governo.Neste ano, que Paulo Guinote considera ser “o Annus Horribilis de Fernando Alexandre”, o docente destaca os problemas relacionados com a reforma estrutural das entidades do Ministério da Educação. Estas mudanças extinguiram organismos e levaram à criação de “duas mega-agências (AGSE e EduQA)”, deixando as escolas sem canais de comunicação eficazes. “Alegaram-se poupanças de meios e pessoal e uma maior eficácia da nova estrutura. Ao longo do ano, no entanto, foram muitas as queixas das escolas de que não sabiam com quem tinham de contactar para obter esclarecimentos e apoios nas mais diversas matérias”, sublinha.Paulo Guinote lamenta ainda o “arrastar” das negociações para a revisão do Estatuto da Carreira Docente “sem que se perceba a razão para tal”. “Ao fim de meses, pouco ou nada de verdadeiramente relevante foi conhecido. Anunciou-se um novo modelo de concurso e recrutamento de professores que só traz alterações cosméticas e de nomenclatura das suas fases”, afirma.Em cima da mesa estão ainda propostas de revisão da legislação relativa à Educação Inclusiva e ao modelo de gestão escolar, bem como o Estatuto do Diretor Escolar..Declarações de Montenegro sobre exames foram “murro no estômago”, lamentam diretores.Oposição une-se e força debate que AD e Aguiar-Branco não queriam