À semelhança do que fez a Direção-Geral da Saúde (DGS) na semana passada, a Ordem dos Médicos lançou nesta terça-feira, dia 11, mais um apelo para que sejam cumpridas todas as regras de proteção para se evitarem as consequentes lesões na visão. A presidente do Colégio da Especialidade de Oftalmologia da Ordem dos Médicos relembra que “durante um eclipse, a redução da luminosidade pode criar uma falsa sensação de segurança. É fundamental que todas as pessoas saibam que, mesmo durante as fases parciais do eclipse, quando apenas uma pequena parte do Sol permanece visível, continua a não ser seguro olhar diretamente para o Sol sem proteção adequada”.Joana Tavares Ferreira reforça que “a radiação solar que chega à retina pode provocar retinopatia solar, uma lesão que pode comprometer a visão central e ser potencialmente irreversível. A retina não tem recetores de dor e, por isso, uma pessoa pode sofrer uma lesão durante a observação do Sol sem sentir qualquer dor ou desconforto imediato. Os sintomas podem surgir posteriormente, nomeadamente sob a forma de visão turva, uma mancha ou zona escura no centro da visão, distorção das imagens ou alterações na perceção das cores”.O presidente do Colégio de Pediatria, Ricardo Costa, refere que no caso das crianças há especial preocupação e apela a que se garanta que a observação do eclipse pelos mais novos seja feita sempre sob supervisão de um adulto. "As crianças podem não ter a perceção do risco associado à observação direta do Sol e, por isso, não devem observar o eclipse sem a supervisão próxima de um adulto. Cabe aos adultos garantir previamente que os equipamentos de proteção são adequados, que estão em boas condições e que são utilizados corretamente durante toda a observação", alerta.O bastonário Carlos Cortes assume que “um fenómeno desta dimensão merece ser vivido e apreciado, mas a curiosidade não pode transformar-se num risco para a saúde. Recomendamos que escolas, municípios, campos de férias e outras instituições que organizem atividades relacionadas com o eclipse assegurem previamente equipamentos adequados, reforcem a informação e garantam a supervisão das crianças e jovens. É fundamental que a informação chegue às pessoas antes do eclipse”.A Ordem dos Médicos reforça ainda que “os óculos de sol comuns, mesmo que muito escuros ou polarizados, não oferecem proteção adequada e que não devem ser utilizados métodos improvisados (como radiografias, negativos fotográficos, vidro fumado, CDs, DVDs ou outros materiais não certificados)”, devendo ser usados “exclusivamente óculos ou visores especificamente concebidos para a observação solar, conformes com a norma internacional ISO 12312-2 e com marcação CE, adquiridos junto de fabricantes ou fornecedores de confiança”. No entanto, lembra, “a observação indireta, através de sistemas de projeção como o método pinhole, constitui uma alternativa segura”..DGS diz que crianças pequenas “nunca devem olhar diretamente para o sol”, mesmo com óculos para eclipse.Da teoria de Einstein aos efeitos na natureza: a ciência por detrás do eclipse total