"É difícil que surja algo técnico que não possa ser resolvido"

Entrevista ao Comandante António Reis, diretor Associação dos Pilotos de Linha Aérea, sobre a queda de avião que vitimou 66 pessoas

O avião envolvido neste acidente, o A 320, é seguro?

Neste momento é o avião que a generalidade das companhias aéreas operam em voos de médio curso. Todas as companhias usam: TAP, Ibéria, Lufthansa, companhias de todo o mundo. É ideal para operações de médio curso. Tem uma boa relação custo operacional, dimensão simpática, um alcance de voo até cinco horas e em termos de segurança - a sua circulação iniciou-se há 20 anos - há conhecimento técnico definido e tem robustez total.

O que poderá ter provocado a queda?

Enquanto não forem encontradas as caixas negras tudo o que se possa dizer será especulação. Todas as possibilidades estão em aberto neste momento: terrorismo, desvio de avião, problemas técnicos, uma explosão que afete as estruturas. A única possibilidade que parece excluída é a de efeitos atmosféricos.

Que problemas técnicos podem provocar um efeito catastrófico?

Existem diversos problemas técnicos que podem acontecer em voo, mas que não se desenvolvem para uma explosão. Isso não são problemas técnicos. Quando, por exemplo, um motor se incendeia, temos no cockpit forma de limitar o incêndio. Num avião novo com manutenções regulares, é difícil que algo técnico surja que não possa ser resolvido. Mas não podemos deixar, nesta fase, de colocar todas as possibilidades. O avião por si só não explode. Tem sempre de haver qualquer coisa como efeitos atmosféricos, terrorismo, algo do foro pessoal que faça o avião cair. Até problemas técnicos.

No caso de um problema existe algum sinal que é emitido?

Existem vários sinais: código de emergência, terrorismo, de falha de comunicações. Emite-se um sinal em que todos sabem que estamos a ser vítimas de qualquer um destes problemas. São códigos colocados pelo comandante e copiloto, não são automáticos.

Há formação em segurança para o pessoal de bordo e pilotos?

As portas dos aviões são blindadas. A segurança acontece nos aeroportos. Em Paris, os aeroportos estão cheios de militares. Mas podem sempre existir falhas.

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