Dois candidatos presidenciais entre  a manifestação da CGTP contra o pacote laboral
Paulo Spranger

Dois candidatos presidenciais entre a manifestação da CGTP contra o pacote laboral

Milhares de trabalhadores manifestam-se esta terça-feira em Lisboa contra o pacote laboral proposto pelo Governo. Catarina Martins e António Filipe juntam-se à concentração convocada pela CGTP.
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Milhares de trabalhadores voltaram esta terça-feira à rua, em Lisboa, numa manifestação convocada pela CGTP para exigir a retirada do pacote laboral proposto pelo Governo. O protesto, que ligou a Praça Luís de Camões à Assembleia da República, ficou marcado não só pelas palavras de ordem e cartazes contra o que os sindicatos consideram um retrocesso nos direitos laborais, mas também pela presença de pelo menos dois candidatos às eleições presidenciais: Catarina Martins e António Filipe.

No final, uma delegação da comissão executiva da CGTP entregou na residência oficial do primeiro-ministro, em São Bento, um abaixo-assinado com mais de 190 mil assinaturas com o lema "derrotar este pacote laboral".

"O Governo já teve todas as hipóteses de abrir os olhos", afirmou o secretário-geral da CGTP, em declarações aos jornalistas. Tiago Oliveira referiu que está em causa "um ataque" ao mundo do trabalho e prometeu dar "continuidade à luta" caso o executivo liderado por Luís Montenegro não recue e retire a proposta da discussão.

A marcha arrancou pouco antes das 15:00, sob o lema “exigir a retirada do pacote laboral”, e juntou dirigentes sindicais, delegados e ativistas de vários setores. Ao longo do percurso, ouviram-se palavras de ordem como “o pacote laboral é retrocesso social”, "não vamos desistir, o pacote é pata cair" ou “salários de miséria, rendas a subir, o povo não aguenta”.

No final da concentração, uma delegação da CGTP, liderada pelo secretário-geral Tiago Oliveira, segue para São Bento, onde tenciona entregar ao primeiro-ministro um abaixo-assinado com dezenas de milhares de assinaturas contra o anteprojeto de revisão da legislação laboral.

À margem da manifestação, o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, acusou o Governo de ser o verdadeiro responsável pelo impasse nas negociações. Em resposta às declarações da ministra do Trabalho, que afirmou que a CGTP se “auto afastou” do diálogo, o líder comunista foi direto: “Quem se autoexcluiu dos direitos de cinco milhões de trabalhadores foi o Governo”. Para Paulo Raimundo, é o executivo que se afastou das soluções ao não acolher as propostas sindicais e ao insistir numa reforma que considera um ataque aos direitos de quem trabalha.

Também presente no protesto, o coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, apelou à manutenção da unidade entre a CGTP e a UGT, lembrando a greve geral conjunta realizada em dezembro. Segundo o dirigente bloquista, só um movimento sindical forte e unido conseguirá travar alterações à lei laboral que, no seu entender, “eternizam a precariedade, diminuem salários e roubam tempo para viver”. José Manuel Pureza acusou ainda o Governo de ostracizar partes importantes do movimento sindical.

Catarina Martins e António Filipe presentes

A manifestação contou igualmente com a participação de dois candidatos presidenciais, num momento em que o tema do trabalho tem ganho peso na campanha. Catarina Martins classificou o pacote laboral como um “assalto aos direitos” dos trabalhadores e garantiu que, se for eleita Presidente da República, vetará o diploma. A candidata afirmou estar ao lado de quem trabalha “por um país em que os salários sejam dignos e o trabalho respeitado” e desafiou os restantes candidatos a clarificarem a sua posição. Para Catarina Martins, não faz sentido pedir aos sindicatos que negoceiem cortes salariais ou mais precariedade: “Têm de negociar como podemos ter melhor trabalho e melhor emprego”.

Paulo Spranger

António Filipe, candidato apoiado pelo PCP e pelo PEV, também fez questão de marcar presença. O ex-deputado comunista considerou que o pacote laboral “não tem ponta por onde se lhe pegue” e defendeu a sua rejeição logo na generalidade, se não for retirado pelo Governo. António Filipe sublinhou que será a luta dos trabalhadores a determinar o desfecho do processo e lembrou que, se for eleito, usará todos os poderes constitucionais para travar o que classifica como um retrocesso grave. “As eleições presidenciais também podem ser um momento de luta contra o pacote laboral”, afirmou.

Catarina Martins e António Filipe chegaram mesmo a cruzar-se no meio da multidão, cumprimentando-se brevemente.

Questionado sobre se espera ver na manifestação mais candidatos para além de Catarina Martins, o candidato apoiado pelo PCP respondeu: “Não propriamente, não me surpreende que não estejam, mas acho que cada candidato deve mostrar ao que vem e com quem está”.

Com Lusa

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