Dezenas de pessoas na vigília solidária contra despejo de família em Lisboa
ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Dezenas de pessoas na vigília solidária contra despejo de família em Lisboa

Acampada de Lisboa, que se tem concentrado desde sábado no Rossio, decidiu deslocar-se esta sexta-feira para Marvila para participar na vigília contra o despejo desta jovem mãe e dos seus filhos.
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Várias dezenas de pessoas protestam esta sexta-feira, 23 de outubro, contra o despejo de uma jovem mãe, viúva, e dos dois filhos menores de uma habitação municipal no Bairro do Condado, na freguesia lisboeta de Marvila, numa vigília solidária no local.

Juntou-se à vigília o movimento Acampada de Lisboa, que grita palavras de ordem como "as pessoas não são lixo para serem despejadas".

"Casas sim, despejos não", "habitação é um direito, sem ela nada feito", "Moedas escuta, o povo está em luta" e "gente despejada e casas vazias" gritam também os manifestantes junto à habitação municipal de onde foi despejada a jovem e os filhos menores de 4 e 2 anos.

Ao microfone, um porta-voz da Acampada de Lisboa defendeu a necessidade de continuar a protestar pelo direito à habitação: "Por cada despejo, 1.000 ocupações. Por cada despejo, 1.000 acampadas."

Organizada pela Comissão de Moradores e Utentes de Marvila (COMUM), esta iniciativa de mobilização popular surge em protesto contra a decisão da Câmara Municipal de Lisboa (CML) e da Gebalis – empresa que gere a habitação municipal - em manter o despejo desta família, que ocorreu no final de julho, "sem qualquer solução ou garantia de alternativa habitação".

Os manifestantes erguem ainda cartazes com frases de ordem: "Vergonha: mãe e filhos despejados sem soluções dignas!", "Gente despejada e tanta casa vazia!", "A CML não pode ser uma agência de despejos!" e "Todos têm direito, para si e para a sua família, a uma habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto (...) - artigo 65 da Constituição da República Portuguesa".

Na quinta-feira à noite, a Acampada de Lisboa pela habitação, que se tem concentrado desde sábado na praça do Rossio, decidiu deslocar-se esta sexta-feira para Marvila para participar na vigília contra o despejo desta jovem mãe e dos seus filhos.

A jovem vivia numa habitação municipal no Bairro do Condado, em Marvila, pagava as rendas e procurou regularizar o contrato de arrendamento, na sequência da morte dos dois titulares da casa, o companheiro e pai das crianças e a avó deste, que morreram em 2024.

Fernando Angleu, presidente do Conselho de Administração da Gebalis, garantiu esta sexta-feira, 23 de outubro, que a mulher despejada de uma casa municipal de Marvila com os dois filhos nunca residiu naquela habitação nem era a titular do contrato.

O responsável da empresa que gere os imóveis municipais na capital fala em "erro grosseiro" nas notícias sobre a situação, segundo a qual a jovem viúva, com dois filhos, de 2 e 4 anos, pagava as rendas e procurou regularizar o contrato de arrendamento, na sequência da morte dos dois titulares, o companheiro e pai das crianças e a avó deste, que morreram em 2024.

O dirigente da Gebalis garantiu em conferência de imprensa que "quem foi ilegalmente impedido de ter acesso à casa foi o companheiro da arrendatária, um idoso de 85 anos". E afirmou também que este denunciou a situação às autoridades.

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