Alfredo Brites viu a totalidade do material que tinha numa obra no centro de Leiria ser roubado numa noite
Alfredo Brites viu a totalidade do material que tinha numa obra no centro de Leiria ser roubado numa noiteReinaldo Rodrigues

"Das ferramentas aos parafusos, levaram tudo”. Empresários da região Centro pedem reforço de segurança

Uma empresária da Marinha Grande pede mesmo a intervenção do Exército para garantir a segurança das empresas que ficaram, muitas delas, a céu aberto.
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Uma empresária da Marinha Grande apelou esta sexta-feira, 30 de janeiro, para que o Exército realize patrulhas nas zonas industriais da região e garantiu que as empresas estão a ser saqueadas.

“Precisamos que o Exército nos venha ajudar a proteger as empresas, Marinha Grande, Vieira de Leiria, em Leiria, porque as empresas estão a começar a ser saqueadas”, disse Maria Almeida, coproprietária de uma empresa de moldes na Marinha Grande, citada pela agência Lusa.

A empresária apontou que uma das empresas no concelho da Marinha Grande já foi alvo de roubos de cablagem.

Do mesmo se queixa Alfredo Brites, proprietário da empresa de construção Briticasa, que na noite de quarta para quinta-feira viu desaparecer todo o material que tinha numa obra mesmo no centro da cidade de Leiria. "De ferramentas a parafusos, roubaram tudo", conta a família Brites ao Diário de Notícias. Na obra, é visível ainda a grua e material pesado, cuja dimensão ou peso terão sido impedimento ao furto.

À porta de casa, Alfredo vai dando orientações a quem aparece. "Estamos sozinhos. Estamos a ajudar os vizinhos, o meu tio...", explica entre dois dedos de conversas com os funcionários da sua empresa ou conhecidos que vão aparecendo.

Alfredo Brites viu a totalidade do material que tinha numa obra no centro de Leiria ser roubado numa noite
“Connosco foi só o telhado. Há pessoas que não têm paredes”

Na quarta-feira, 28 de janeiro, visitou a obra que tem em Leiria, e ficou descansado. O temporal não tinha levado nada nem feito estragos significativos. Na quinta-feira, 29 de janeiro, quando lá voltou, o cenário era outro. "Levaram-me tudo".

Face à falta de segurança, e num cenário em que “as empresas ficaram a céu aberto”, são os próprios proprietários que estão a fazer a vigilância dos pavilhões, adianta Maria Almeida.

A passagem da depressão Kristin deixou danos na sua fábrica, arrancando o telhado.

Funcionários da Briticasa tentam reparar os estragos da tempestade e proteger a obra
Funcionários da Briticasa tentam reparar os estragos da tempestade e proteger a obraReinaldo Rodrigues

Ainda assim, considerou que “houve a sorte de não chover”, o que permitiu que as máquinas pudessem ser tapadas – algo feito por “dezenas e dezenas de empresas” na região.

Os estragos são notórias numa das regiões mais industrializadas do país. Barracões que ficaram a céu aberto, escritórios que estão sem janelas, paredes e até secretárias, empresas que ficaram sem inventário porque a força dos ventos levou o telhado e a da chuva, o que ele guardava.

"Vai haver empresas em muitas dificuldades. Muitas mesmo. Até porque como é que nós arranjamos as coisas se as empresas de construção, grande parte delas, são daqui?", pergunta Alfredo.

Na estrada que sai da Caranguejeira em direção a Leiria, o cenário de saque é visível: espaços que na terça-feira eram empresas em pleno funcionamento são agora vazios de gentes e material.

O mesmo cenário relata Inês Teixeira, habitante da Marinha Grande em busca de apoio em Leiria, ao DN: "Na Marinha Grande, há lojas e lojas onde foi tudo roubado. É uma tristeza".

Da obra que a Briticasa tem atualmente no centro de Leiria foram levadas todas as ferramentas da noite para o dia.
Da obra que a Briticasa tem atualmente no centro de Leiria foram levadas todas as ferramentas da noite para o dia. Reinaldo Rodrigues
Alfredo Brites viu a totalidade do material que tinha numa obra no centro de Leiria ser roubado numa noite
Na zona de Leiria há mais de 200 mil clientes sem energia. Proteção Civil pede geradores para a região Oeste

A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.

Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.

Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade entre as 00:00 de quarta-feira até às 23h59 de dia 1 de fevereiro para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.

*com Lusa

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